quarta-feira, 28 de outubro de 2009

8ª jornada

Benfica-Nacional, 6-1
Goleada rima com... tourada

O Benfica é o novo líder do campeonato, depois de golear o Nacional por 6-1 e beneficiar do empate do Sp. Braga em Vila do Conde. Nove meses depois, os encarnados regressam ao primeiro lugar, uma semana antes de visitarem o líder deposto.

Foi, uma vez mais, o Benfica das goleadas (ou touradas, tantos os «olés», além da confusão no túnel ao intervalo) a apresentar-se em cena, aquele que se agiganta na arena quando espicaçado. Fica o aviso, mais um. A quarta goleada da época (8-1 ao V. Setúbal, 4-0 ao Belenenses e 5-0 ao Leixões), a segunda consecutiva (e que o Everton dificilmente esquecerá), surgiu com a naturalidade de quem ambiciona ser campeão e não foi preciso... prometer.

Sete golos, o do Nacional em fora-de-jogo, um bem anulado a Saviola pelo mesmo motivo, duas grandes penalidades convertidas (uma forçada por Aimar), três grandes defesas de Bracali e duas expulsões foram os ingredientes de um jogo, desde logo temperado pela rivalidade de dois treinadores que não se suportam.

Jorge Jesus antecipou as dificuldades, só não imaginou que César Peixoto se lesionaria no aquecimento. A emenda foi determinante, com Fábio Coentrão a brilhar em campo e a mostrar que é jovem mas pensa como adulto. Já Manuel Machado alterou uma equipa que se adapta a qualquer esquema, deixando no banco Pecnik, uma das figuras de Bilbau. Leandro Salino também ficou, entrando Tomasevic para a defesa, Edgar Costa para o miolo e João Aurélio para a frente.

O Nacional chegou à Luz com estatuto de quarto classificado, que partilha com Sporting, Rio Ave e Marítimo, e o acerto na estratégia durou 17 minutos, altura em que o Benfica inaugurou o marcador. Até então, falhavam ambos no último passe, com as defesas a mostrarem argumentos, ainda que Edgar Costa tenha protagonizado o primeiro remate do desafio logo aos seis minutos e que Quim desviou para canto.

Tudo fácil para os encarnados. Aimar colocou na esquerda, Coentrão cruzou rasteiro e Cardozo empurrou com afinação. Cinco minutos depois, Bracali negou o 2-0 a Di María.

Ruben Micael, que tanto queria marcar, acabou por assistir Edgar Costa no empate, aos 28 minutos. O avançado ganhou na corrida, bateu Quim com um remate na passada, mas estava adiantado.

Mais protestos se seguiriam, depois de Vasco Santos anular o golo de Saviola. Di María, de livre, colocou na área, Luisão antecipou-se à defesa e cabeceou para defesa incompleta de Bracali. Na recarga Saviola colocou dentro da baliza, mas o fora-de-jogo foi desta vez assinalado e bem.

Ainda antes do intervalo mais uma grande defesa de Bracali, a remate à queima-roupa de Ramires, também antes do intervalo o 2-1, por Saviola. Fábio Coentrão serviu o argentino e este cabeceou para a vantagem.

Os quatro dedos de Jesus

O segundo tempo arrancou com uma grande penalidade. Aimar sentiu a proximidade de Felipe Lopes e deixou-se cair, o castigo máximo foi assinalado. Cardozo encarregou-se de marcar e... não falhar.

Entrou Mateus, depois Pecnik no Nacional, mas foi o Benfica quem continuou a pressionar. Coentrão fugiu na esquerda, cruzou para Cardozo, este atrapalhou-se, mas ainda conseguiu servir Saviola, que atirou para o 4-1. Jorge Jesus virou-se para o banco do Nacional e mostrou quatro dedos, o número de golos marcados, em jeito de provocação.

A segunda provocação, a da vitória consumada, mas não ainda por estes números, deu-se aos 70. Saíram Aimar e Saviola, entraram Carlos Martins e Ruben Amorim. A gestão. O médio acabou por sair lesionado para a entrada de Nuno Gomes, seguiram-se mais dois golos, um do avançado, e a festa encarnada.

Nunca uma segunda-feira terá sido tão reconfortante, sobretudo para os mais de 47 mil adeptos presentes no Estádio da Luz. No final, buzinas na rua.

Fábio Coentrão
Não estava previsto figurar no «elenco» inicial, mas foi chamado, à última da hora, para render César Peixoto que se lesionou no aquecimento. Os olhares concentraram-se na cabeleira loira do jovem extremo que ia jogar, pela primeira vez, a lateral, nas costas de Di Maria. Fez todo o corredor, num entendimento táctico quase perfeito com David Luiz e Di Maria, tornando o flanco mais activo do ataque dos encarnados. Logo nos primeiros minutos percebeu-se que ia ser uma das figuras do jogo, aproveitando muito bem o espaço vazio à sua frente, uma vez que Patacas só tinha olhos para Di Maria. Recorrendo à sua velocidade, surpreendeu a defesa madeirense com um sprint a puxar pela assistência perfeita de Aimar para depois, com espaço, colocar a bola na bota fulminante de Cardozo para o primeiro golo. No meio de muita luta com Edgar Costa, voltou a aparecer num canto curto para cruzar com precisão para o segundo poste, para Saviola fazer o segundo. A noite estava ganha. Mas ainda havia mais. Novo sprint e nova assistência para o quarto golo da noite.

Di Maria
O espaço que Fábio Coentrão teve para brilhar esta noite deve-o, em grande parte, aos movimentos deste argentino que não sabe estar quieto. Esta noite não marcou, embora tenha tido uma oportunidade soberana para isso, nem fez assistências, mas, quem viu o jogo, tinha a certeza que iria figurar nesta lista de destaques. É ao acelerador desta equipa. Quando carrega no pedal, arrasta toda a equipa atrás dele.

Saviola
Outro jogador que esteve em plano de destaque, sempre em jogo (com excepção no golo anulado), em constantes movimentações, a abrir espaços, a jogar e a fazer jogar. Apresentou o seu cartão de visita com uma excelente abertura para Di Maria que só não resultou no segundo golo porque Bracalli não deixou. Na área, deixa-se marcar para no último instante, num curto espaço de terreno, fugir à sua «sombra» e tentar a sua sorte. Fez um primeiro ensaio com a cabeça a uma recarga a um primeiro remate de Luisão, mas foi rápido demais. À segunda tentativa, não falhou. Num cruzamento largo de Coentrão, surgiu do nada para encostar de cabeça para o segundo do Benfica. Voltou a marcar na segunda parte, ao tornar simples o que Cardozo estava a complicar.

Pablo Aimar
Uma exibição «matreira», não só pelo penalti que «cavou», mas pela forma aparentemente «discreta» que esteve em campo. Não se deu muito por ele, não esteve directamente nos lances dos golos, mas estava sempre presente, lá atrás, a arquitectar a estratégia encarnada. Muitos dos lances de perigo nasceram de um passe do argentino que abria corredores para os «velocistas», como Coentrão, Saviola e Di Maria, explorarem. Quando não havia espaços, lá ia ele, com o drible curto a improvisar uma abertura. Numa dessas insistências, arrancou a grande penalidade que matou definitivamente o jogo. Saiu ao som de intensos aplausos.

Ruben Micael
Não marcou o golo que tinha anunciado para a Luz, mas deu um a marcar no meio de uma exibição razoável. Jogou atrás de Edgar Costa e João Aurélio, no território de Javí Garcia, estabelecendo, a espaços, a ligação com o ataque. Fez a assistência para o golo do empate e foi decisivo na manutenção do equilíbrio de forças na primeira parte. Quando desapareceu do jogo, o Nacional foi definitivamente ao fundo.





F.C. Porto-Académica, 3-2

Jesualdo Ferreira deu mais uma lição no 150º jogo como treinador do F.C. Porto. O aluno Villas Boas, com pinta de traquina, juntou os estudantes num bloco baixo, o Dragão bocejou durante uma hora mas despertou na medida certa. Mariano, o mal-amado, ficou em campo por teimosia do professor. Resultado: um golo e uma assistência. Farías saltou do banco para completar a obra. A Académica nunca desistiu (3-2).

O F.C. Porto foi medíocre, mau até, durante largo período. A vitória disfarça uma exibição sem chama de Dragão, antes do minuto 66, o momento de viragem. Os campeões cresceram, ameaçaram esmagar o último classificado, mas ficaram sempre demasiado perto da mediania. À medida das necessidades.

Os dragões entraram em campo com o mesmo figurino. Fucile surgia pelo corredor direito, na confirmação de uma temporada de grande nível. Um pique, um cruzamento, uma picada. O lateral terminava a sua história aí. Com cinco minutos de jogo, surgia Sapunaru.

A lesão de Jorge Fucile aumentava o cinzentismo do cenário. Uma noite fria no Porto, muitas cadeiras vazias (menos de 30 mil espectadores), um banco de suplentes sem grandes soluções ofensivas.

André Villas Boas motivava desconfiança generalizada. Pinta de Mourinho, estágio prolongado com um homem que deixou imensas saudades no Porto. Do outro lado, Jesualdo Ferreira, 150 jogos como treinador dos dragões. Em três anos, três campeonatos, afastando continuamente os contestatários. Silenciando-os, pelo menos. Ao primeiro deslize, eles voltam.

Mudem a música!

Aceleremos o filme de jogo para o minuto 41. Cristian Rodriguez dispara de fora da área. Rui Nereu faz a sua primeira defesa! Até então, mais Académica, um atrevimento proporcional à falta de inspiração do F.C. Porto, com insatisfação crescente nas bancadas. Desta vez, o problema não era Mariano. Hulk falhava, Fernando também, Meireles idem. Uma espiral de equívocos. Resta pouco ou nada para contar sobre aquela etapa inicial.

A festa de Jesualdo Ferreira, a celebração dos 150 jogos, começava mal. A música não encantava os presentes e apenas um convidado, indesejado por sinal, dançava com deleite. A Académica, arrumadinha e surpreendente, estudara bem a sua lição.

O espectador desinteressado olhava para o espectáculo com sobranceria. Ao intervalo, multiplicavam-se os bocejos. Os pessimistas faziam contas à vida e temiam uma metade, a segunda, ainda mais enervante. Poucas soluções no banco, clausura natural do adversário, nervos a acompanhar os ponteiros do relógio.

Rodriguez? Mariano!

Minuto 58. Jesualdo Ferreira repete a substituição operada frente ao APOEL. Sai Rodriguez, Mariano fica. Os adeptos soltam a maior assobiadela da noite. O uruguaio pontapeia uma garrafa e segue para os balneários, depois de passar pelo banco. O argentino tenta esquecer. Passa por dois adversários e cruza para fora. Mais dois pelo caminho, remate para a bancada. Não estava ali o problema.

Hulk abanou a baliza, com uma bomba ao poste, mas a noite preparava-se para a maior lição do professor. Mariano, esse mesmo, surge a cabecear na zona de penalty. As redes abanam, os SuperDragões saúdam o «patinho feio». A Académica sofre o primeiro golpe e cai logo depois, quando Mariano (sim, a repetição do nome é justificada) foge pela direita e cruza para Farías. Orlando falha o corte, Ernesto não perdoa.

Miguel Pedro ainda marcou um golaço, para premiar a arrumação estudantil, Ernesto Farías (partindo de posição duvidosa) bisou para a aparente tranquilidade mas Sougou recuperou alguns contestatários com o segundo golo da Académica, em cima da meta (3-2). O F.C. Porto iguala o Benfica, à condição, e fica a três pontos do líder Sp. Braga, antes do duelo entre encarnados. Alguém se importa com as dificuldades?

Mariano, em análise prolongada
Não é fácil escrever sobre este argentino. Mariano sobrevive numa espécie de relação amor/ódio com a massa associativa. E sobrevive, principalmente, porque Jesualdo Ferreira não o deixa cair. O antigo jogador do Inter é um atleta estranho, de facto. Diferente. Irregular, capaz do melhor e do pior na mesma jogada. O minuto 61, de resto, é a síntese do seu futebol. Ultrapassa em habilidade dois defesas, as bancadas empolgam-se e logo a seguir centra de forma perfeitamente disparatada. Muito racionalmente, que jogador é este? É um jogador com preocupantes níveis de instabilidade, acima de tudo. Tecnicamente é limitado, principalmente ao nível da recepção, mas possui também muitas valências: forte fisicamente, abnegado, experiente, dinâmico se estiver devidamente moralizado. Marcou o primeiro golo e cruzou para o segundo. Sai com as baterias anímicas carregadas, apesar de 60 minutos paupérrimos.

Farías, a importância de ser Ernesto
Tem uma relação privilegiada com o golo. Aprecie-se, ou não, o estilo. Lançado uma vez mais num período crítico do jogo, respondeu com as armas do costume: concentração e ferocidade máxima na área de finalização. Um golo pleno de oportunidade, outro culminado com um pontapé cirúrgico. Um suplente de luxo. Apesar do papel secundário dentro do plantel, é importante ser Ernesto.

Falcao, a falhar o que não pode
Segunda partida consecutiva a falhar escandalosamente um golo feito. Depois do APOEL, a Académica. O colombiano tem demonstrado atributos de excelência, mas terá de recuperar a frieza e a mordacidade na cara dos guarda-redes contrários. Farías está à espreita e fez dois golos em 30 minutos.

Raul Meireles, longe de ser comandante
Claramente abaixo do expectável. O F.C. Porto precisa urgentemente de um patrão para o período pós-Lucho e Raul Meireles não se consegue assumir nesse papel. Mais um jogo fraco, num início de época decepcionante.

Miguel Pedro, momento soberbo
Grande golo de um jogador que promete mais do que mostra. Senhor de uma técnica individual soberba, Miguel Pedro está a chegar àquela fase em que tem de aplicar uma dose generosa de consistência ao seu futebol. Repita-se, porém: um golo fantástico no Estádio do Dragão.

Rui Nereu, uma segunda vida
André Villas Boas terá gostado do que fez no jogo da Taça de Portugal e entregou-lhe a baliza. Na primeira vez a titular em jogos da Liga 2009/10, o guarda-redes formado no Benfica respondeu com serenidade. Aproveitou a frágil labareda do adversário para ir ganhando confiança e fez a primeira defesa apenas aos 41 minutos, imagine-se! Tem aqui uma bela oportunidade para contrariar a opinião dos maledicentes. Aqueles que sempre consideraram não ter qualidade para jogar num grande clube. Defesa extraordinária aos pés de Falcao, a dez minutos do fim. Sem hipóteses nos golos.

Pedrinho, o pragmatismo fica-lhe bem
Lateral de vistas largas. Ofensivo, veloz, não raras vezes sonhador. Esta última característica tem limitado a sua evolução na Liga. Prejudica-se por arriscar em demasia, não raras vezes. No Dragão mostrou estar mais pragmático. Segurou Rodríguez nos primeiros instantes, parou Hulk três ou quatro vezes sem falta e ainda teve forças para apoiar Sougou. Tem 24 anos e futebol suficiente para fazer uma carreira bonita.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

22 de Setembro - A causa persiste, a esperança vive e o sonho nunca vai morrer..


– Exmo. Senhor Presidente do Governo Regional
– Exmos. Senhores Secretários Regionais
– Exmos. Senhores Directores Regionais
– Exmo. Senhor Presidente da Assembleia Municipal de Câmara de Lobos
– Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal de Câmara de Lobos
– Exmos. Senhores deputados à Assembleia Legislativa da RAM
– Reverendíssimo cónego
– Demais individualidades representadas
– Excelências
– Minhas Senhoras e meus Senhores
– Meninas e meninos
Cabe-me enquanto director indigitado da escola, apresentar hoje aqui perante vós este projecto, um projecto que alguns transvertidos em velhos do Restelo dos tempos modernos, diziam ser impossível de concretizar. Mas como cada dia é um dia, o nosso dia sempre chegou e o que não era mais do que uma necessidade sentida transformou-se em realidade.A escola do 2º e 3º ciclos do Curral das Freiras será com a participação de todos uma escola de referência, onde poderão ser potenciados sonhos e capacidades, educados valores e conhecimentos, onde o sucesso o trabalho e o respeito caminharão de mãos dadas.

Não tenho a menor dúvida que em dois anos seremos a escola de câmara de lobos com melhores resultados, em quatro estaremos entre as melhores da Madeira e numa década seremos a melhor escola pública portuguesa nos exames nacionais de terceiro ciclo.Temos uma equipa de professores fantástica, com profissionais dedicados e empenhados, uma comunidade sedenta de conhecimento, uma autarquia participativa e uma secretaria que valoriza as pessoas e a sua formação. E antes de passar a palavra aos nossos ilustres intervenientes, encerro esta curta intervenção recordando um clássico do cinema 2001-odisseia no espaço – em que um nosso antepassado Australopitecus Afarensis lança ao ar um osso, logo depois de o ter usado.Nos breves segundos em que o fémur rodopia no espaço, o realizador Stanley Kubrick transporta-nos do Pleistoceno até à era das viagens interplanetárias.E é no ambiente moderno e sublime destes espaços de educação e cultura, que temos um pouco por toda a nossa região, símbolo primeiro deste novo Portugal, que transporta um passado glorioso, pelo qual somos respeitados e conhecidos em todo o mundo, e com o qual nos encontramos sempre que acreditamos em nós mesmos, tal qual no filme urge deixar para trás estes tempos em que estamos, e olhar para os novos desafios e agarra-los com ambas as mãos.Na Madeira temos uma longa tradição enquanto construtores do futuro e para esta equipa de professores a construção do futuro é uma tradição que nos agrada manter – Ainda que sem a violência do filme.Minhas senhoras e meus senhores uma garantia vos deixamos o nosso compromisso ético e deontológico com a escola, com a freguesia e com a nossa região é total e fica aqui assumido Sr. Presidente, com a certeza que o trabalho vai continuar. Que a causa persiste, a esperança vive e o sonho nunca vai morrer.

Joaquim José Sousa
22 de Setembro de 2009

homenagem aos melhores professores.. os meus


Profs....a culpa é deles!

Neste momento, é óbvio para todos que a culpa do estado a que chegou o ensino é (sem querer apontar dedos) dos professores. Só pode ser deles, aliás. Os alunos estão lá a contragosto, por isso não contam. O ministério muda quase todos os anos, por isso conta ainda menos. Os únicos que se mantêm tempo suficiente no sistema são os professores. Pelo menos os que vão conseguindo escapar com vida.

É evidente que a culpa é deles.

E, ao contrário do que costuma acontecer nesta coluna, esta não é uma acusação gratuita. Há razões objectivas para que os culpados sejam os professores.
Reparem: quando falamos de professores, estamos a falar de pessoas que escolheram uma profissão em que ganham mal, não sabem onde vão ser colocados no ano seguinte e todos os dias arriscam levar um banano de um aluno ou de qualquer um dos seus familiares.
O que é que esta gente pode ensinar às nossas crianças? Se eles possuíssem algum tipo de sabedoria, tê-Ia-iam usado em proveito próprio. É sensato entregar a educação dos nossos filhos a pessoas com esta capacidade de discernimento?
Parece-me claro que não.
A menos que não se trate de falta de juízo mas sim de amor ao sofrimento.
O que não posso dizer que me deixe mais tranquilo. Esta gente opta por passar a vida a andar de terra em terra, a fazer contas ao dinheiro e a ensinar o Teorema de Pitágoras a delinquentes que lhes querem bater. Sem nenhum desprimor para com as depravações sexuais -até porque sofro de quase todas -, não sei se o Ministério da Educação devia incentivar este contacto entre crianças e adultos masoquistas.

Ser professor, hoje, não é uma vocação; é uma perversão.

Antigamente, havia as escolas C+S; hoje, caminhamos para o modelo de escola S/M. Havia os professores sádicos, que espancavam alunos; agora o há os professores masoquistas, que são espancados por eles. Tomando sempre novas qualidades, este mundo.
Eu digo-vos que grupo de pessoas produzia excelentes professores: o povo cigano.
Já estão habituados ao nomadismo e têm fama de se desenvencilhar bem das escaramuças. Queria ver quantos papás fanfarrões dos subúrbios iam pedir explicações a estes professores. Um cigano em cada escola, é a minha proposta.
Já em relação a estes professores que têm sido agredidos, tenho menos esperança.
Gente que ensina selvagens filhos de selvagens e, depois de ser agredida, não sabe guiar a polícia até à árvore em que os agressores vivem, claramente, não está preparada para o mundo.
Ricardo Araújo Pereira in Opinião, Boca do Inferno, Revista Visão

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

p... chapeus há muitos..

o boné do estilo
podia ser mas não estava em fuga de Alcatraz :)

o Banif em New York City

porto santo sempre

armado em gringo em Los Angels

a caminho duns meses tipo oeste selvagem ;)

culpa do fotografo e da dimensão do barrete de orelhas :)

um hit..

a tradicional palha

domingo, 16 de agosto de 2009

1 de Setembro de 2009 - início de nova comissão de serviço

SECRETARIA REGIONAL DA EDUCAÇÃO E CULTURA
Despacho n.º 65/2009

A exigência de uma permanente adequação da rede escolar pública às necessidades educativas da Região determinou a publicação da Portaria n.º 55-A/2009, de 5 de Junho, a qual veio criar a Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos do Curral das Freiras.

Conforme o disposto no n.º 1 do artigo 61.º do Decreto Legislativo Regional n.º 4/2000/M, de 31 de Janeiro, com as alterações introduzidas pelo Decreto Legislativo Regional n.º 21/2006/M, de 21 de Junho, normativo que veio aprovar o regime de autonomia, administração e gestão dos estabelecimentos de educação e de ensino públicos da Região Autónoma da Madeira, os estabelecimentos dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico em fase de instalação são geridos por uma comissão executiva instaladora, constituída por três ou cinco elementos, consoante o número de alunos.

Atendendo ainda que para o número de alunos do estabelecimento de ensino corresponde um órgão de gestão integrado por três elementos.

Nestes termos e ao abrigo dos artigos 14.º e 61.º do Decreto Legislativo Regional n.º 4/2000/M, de 31 de Janeiro, com a redacção dada pelo Decreto Legislativo Regional n.º 21/2006/M, de 21 de Junho, conjugados com a Portaria n.º 55-A/2009, de 5 de Junho, determino:

1 - A Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos do Curral das Freiras encontra-se em regime de instalação.

2 - É nomeado Presidente da Comissão Executiva Instaladora da Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos do Curral das Freiras o Professor Joaquim José Batalha de Sousa, docente do grupo 420, pertencente ao quadro da Escola Básica e Secundária da Ponta do Sol e requisitado na Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos do Curral das Freiras.

3 - São nomeados Vice-Presidentes da Comissão Executiva Instaladora da Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos do Curral das Freiras o Professor Francisco José Carvalho de Freitas, docente do grupo 250, pertencente ao quadro deste estabelecimento de ensino e a Professora Lígia Maria Rodrigues de Sousa Joaquim, docente do grupo 300, pertencente ao quadro da Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos Cónego João Jacinto Gonçalves de Andrade e requisitada na Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos do Curral das Freiras.

4 – A comissão instaladora é nomeada pelo prazo de um ano e no âmbito das suas competências deverá promover as eleições para o Conselho Executivo ou Director.

5 - As nomeações referidas nos 2 e 3 produzem efeitos a partir de 1 de Setembro de 2009, produzindo igualmente efeitos nessa data as requisições dos docentes.

Secretaria Regional de Educação e Cultura, aos 10 dias do mês de Agosto de 2009.

O SECRETÁRIO REGIONAL DE EDUCAÇÃO E CULTURA,

Francisco José Vieira Fernandes

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

e hoje lembro a eternidade..

5 de Agosto de 2002 - 5 de Agosto de 2009

como o tempo passa
sete anos
Jb, António José, Pai, Mãe, Mano Velho e os pequenotes - João e Cláudio

Gostava de o ter comigo. Ter. Saber que se tivesse alguma dúvida ou medo, me podia apróximar e perguntar a quem sabe, pois o pai ia-me ensinar.

Gosto do respeito que impôs, respeito que não era um muro mas sim uma actitude que permitia o contacto. Foi muito importante para mim enquanto crescia saber que me podia refugiar em si quando sintia medo, e que só, por o ter ao pé de mim me sintia protegido e tranquilo. Ensinou-me a respeitar o medo e a enfrenta-lo..
Ficava encantado quando me explicava os quês e os porquês da vida, quando fixava a minha atenção de menino em coisas sem sentido à epoca e de cujas lições hoje continuo a tirar ilações. Essas lições que então me pareciam por vezes simplesmente idiotas, hoje dou-me conta, que são tremendamente importantes para a vida.
Recordo-me de quando insistia que para aprender não chegava ler nos livros de que tanto gostava e continuo a gostar, que devia dar valor e procurar aprender com aqueles que sabem fazer, imita-los e melhorar o que houver a melhorar, pois só assim conseguiria ir aprendendo. O melhor de tudo foi que, ao ensinar-me isso, incentivou-me a aprender com todos, a imita-los independentemente dos seus títulos sem me sentir menos que ninguém.
aos 55 e aos 58

Quando compartilhava o seu tempo comigo ou com os manos e ao mesmo tempo que dizia que a sua maior riqueza eramos nós, ensinava-nos o valor do trabalho, da familia e a solidariedade com os que sofrem e do valor que todas as pessoas têm independentemente da sua origem.
Aprendi a não viver à custa dos outros, a ser sério intlectualmente, aprendi a partilhar e a respeitar a vontade e o espaço de todos os outros e a partilhar nem que seja uma palavra amiga com todas as outras pessoas independentemente da sua condição social.
com o snoopy

A principio nem pensei no que acontecia, como podia ser, era tão novo e ficar orfão, mas fui-me apercebendo que não tinha partido, que estava aqui comigo. Oiço por vezes pessoas a desvalorizar outras por pura arrogância ou maldade escudados no seu poder ou no seu dinheiro e lembro-me que tive uma felicidade maior que o dinheiro ou o poder não podem comprar, o ter tido um pai como o senhor, isso não se compra, é a vida que oferece de forma única e irrepetivel.

na casa de Deus

Obrigado meu pai eu vou continuar a cuidar deles..

terça-feira, 4 de agosto de 2009

ainda que longe hoje comemoro o milagre da vida

4 de Agosto de 1994 - 4 de Agosto de 2009
já foi à quinze anos
a arte do fotografo

à dias que mudam a nossa vida e dos quais sempre nos lembramos e simplesmente sorrimos tal a alegria que lhe temos associada..

bilabong boy


e este dia 4 de Agosto de 1994 foi um desses dias, pois neste dia quente de verão nascia um amigo, o nosso benjamim, o nosso menino que a todos nos encheu de alegria - João Rafael Pereira de Sousa - de quem os pais me deram a honra de ser padrinho..

na velha rua da Manutenção, junto ao nº3

Parabéns, porque completas hoje quinze anos e já estás muito grande, ainda que para nós sejas sempre o nosso menino.. Sabemos que estás a crescer, ainda que não to digamos. Tens passado por diferentes fases da tua formação física e pessoal, eras todo.. enrugadinho mesmo :), cresces-te e como acontece com todos os outros foste sofrendo alterações na tua fisionomia, que acredita ainda não acabaram.. até eu já vejo a barba a ficar esbranquiçada :)

na Expo 98

Nós sabemos que vais continuar a cimentar a tua personalidade, tua, afirmativa, sobre os teus princípios e valores que te temos procurado passar, a principal herança que a tua família te vai legar, sei porque te conheço que a vais honrar e engrandecer.., sei que irás ajustar aquilo que não gostas em ti, para continuares a melhorar e a aprender mais e mais.

quem estaria a passar na rua..

Parabéns, tens evoluído, lembro-me que quando nasceste só choravas e ... utilizando os movimentos pra transmitires as tuas necessidades.. e hoje já falas :) Foi pouco a pouco que da tua garganta saiam sons que uns diziam ser pai e outros ser mãe, mas continuo convencido que era tio, mas..

metem-me em cada uma..

Hoje a verdade é que já falas correctamente, já não pareces um quimérias básico :), relacionas-te com outras pessoas e denotas bom companheirismo. Gosto quando dizes as coisas directamente sem subterfúgios, com carácter, educação e coragem. Quando assumes o que pensas.

o europaista..

Parabéns porque começas-te a olhar para os bonecos no berço, gatinhas-te, e depois duns tantos tombos lá aprendes-te a andar, mas num destes mesmos dia puses-te o velho Sousa a rebolar.. Agora corres, corres muito, até sabes nadar, de bicicleta também andar e até provas de triatlo consegues ganhar, mas ainda vais ter que mostrar aqui ao velhote que tens pedalada..
esta Europa não estava em crise e o glorioso também não :)
Parabéns, porque tens conseguido manter o espírito humilde perante as aprendizagens, querendo saber sempre mais, o décimo ano está ai e estás a seis anos de te formares :) e eu quero lá estar..

o atleta do Belenenses

Sei que valorizas o aprender, que tens vontade de saber, nunca percas esse espírito, pois irás passar toda a vida a aprender coisas novas e, ainda que fique sempre muita coisa para aprender, a herança que vais deixar à nossa próxima geração será a súmula de todas as outras que te precederam..

esse chapéu do estilo..

Lembra-te que é importante dar valor, ao que aprendes-te, para, a partir daí, definires novos objectivos. Sempre com humildade, mas também consciente do valor que tens e do que tens que melhorar para seres uma melhor pessoa.. sem te menosprezares.

cadê a areia!!!!

Parabéns, porque porque sabes guardar um segredo e honrar um compromisso.. E também porque apreendes-te algo muito importante da comunicação - expressar sentimentos.. Acredita, é algo maravilhoso, que é bom que pratiques e vás melhorando dia a dia. Isso permitir-te-á viver de uma forma mais sã e ser mais feliz.. a vida é um eterno recomeço meu querido..

isto é que é uma terra como deve ser :)

Parabéns porque cuidas do teu corpo. Gosto de ver como te interessas por ver o que pode ser melhor para ti e depois ages decididamente em sentido positivo, pois sabes que o tabaco não dá estilo que o álcool não liberta e que a vida sem drogas é muito mais vida pois respeita a própria essência da vida.. Sei que sabes isso e és firme nas tuas convicções e isso alegra-me.

lá tava o velhote para vos salvar.. héhéhé
Parabéns, porque sabes partilhar o que tens com os demais e, assim desfruta-lo ainda mais. És capaz de amar e de expressa-lo, e nota-se como gostam de ti e te respeitam, aqueles que te rodeiam.

o que é bom não dura para sempre.. grande terra
Deixai agora falar o tio, o padrinho, sei que sabes que tenho um orgulho imenso em ti, que todos temos, sei que sabes que a qualquer hora, em qualquer momento podes contar comigo, connosco, sei que sabes que foste a maior alegria que recebemos, sei que sabes que acreditamos em ti e confiamos no teu valor, nas tuas capacidades e que acima de tudo queremos que sejas sempre feliz e sei que sabes que podes contar connosco em todos os momentos.

isto de ser adolescente e ter que ouvir os cotas.. sabem lá eles ;)

És fantástico e, por tudo isto quero felicitar-te. Parece-me fascinante tudo o que conseguis-te nestes quinze anos e só lamento não poder estar mais perto para poder partilhar-lo contigo.. Sinto-me muito grato a teus país por ter um afilhado como tu..

já à umas horas
Lembra-te daquelas palavras que te disse naquele dia 04 de Agosto de 1994 - Gostas de mulheres, és do Benfica e vais-te formar..


acredito em ti..

quarta-feira, 29 de julho de 2009

As mulheres mais bonitas de Portugal

'Primeiro, as verdades.O Norte é mais Português que Portugal.As minhotas são as raparigas mais bonitas do País.
O Minho é a nossa província mais estragada e continua a ser a mais bela. As festas da Nossa Senhora da Agonia são as maiores e mais impressionantes que já se viram.Viana do Castelo é uma cidade clara. Não esconde nada. Não há uma Viana secreta. Não há outra Viana do lado de lá. Em Viana do Castelo está tudo à vista. A luz mostra tudo o que há para ver. É uma cidade verde-branca. Verde-rio e verde-mar, mas branca.
Em Agosto até o verde mais escuro, que se vê nas árvores antigas do Monte de Santa Luzia, parece tornar-se branco ao olhar. Até o granito das casas.
Mais verdades.
No Norte a comida é melhor.
O vinho é melhor.
O serviço é melhor.
Os preços são mais baixos. Não é difícil entrar ao calhas numa taberna, comer muito bem e pagar uma ninharia.
Estas são as verdades do Norte de Portugal.
Mas há uma verdade maior.
É que só o Norte existe.
O Sul não existe.
O Alentejo, os Açores, a Madeira, Lisboa, et caetera, existem sozinhas. O Sul é solto. Não se junta. Não se diz que se é do Sul como se diz que se é do Norte. No Norte dizem-se e orgulham-se de se dizer nortenhos. Quem é que se identifica como sulista?
No Norte, as pessoas falam mais no Norte do que todos os portugueses juntos falam de Portugal inteiro. Os nortenhos não falam do Norte como se o Norte fosse um segundo país. Não haja enganos. Não falam do Norte para separá-lo de Portugal. Falam do Norte apenas para separá-lo do resto de Portugal. Para um nortenho, há o Norte e há o Resto. É a soma de um e de outro que constitui Portugal. Mas o Norte é onde Portugal começa. Depois do Norte, Portugal limita-se a continuar, a correr por ali abaixo. Deus nos livre, mas se se perdesse o resto do país e só ficasse o Norte, Portugal continuaria a existir. Como país inteiro. Pátria mesmo, por muito pequenina. No Norte.
Em contra partida, sem o Norte, Portugal seria uma mera região da Europa. Mais ou menos peninsular, ou insular. É esta a verdade. Lisboa é bonita e estranha mas é apenas uma cidade. O Alentejo é especial mas ibérico, a Madeira é encantadora mas inglesa e os Açores são um caso à parte. Em qualquer caso, os lisboetas não falam nem no Centro nem no Sul - falam em Lisboa. Os alentejanos nem sequer falam do Algarve - falam do Alentejo. As ilhas falam em si mesmas e naquela entidade incompreensível a que chamam, qual hipermercado de mil misturadas, Continente.
No Norte, Portugal tira de si a sua ideia e ganha corpo. Está muito estragado, mas é um estragado português, semi-arrependido, como quem não quer a coisa. O Norte cheira a dinheiro e a alecrim. O asseio não é asséptico - cheira a cunhas, a conhecimentos e a arranjinho. Tem esse defeito e essa verdade. Em contra partida, a conservação fantástica de (algum) Alentejo é impecável,porque os alentejanos são mais frios e conservadores (menos portugueses) nessas coisas. O Norte é feminino.
O Minho é uma menina. Tem a doçura agreste, a timidez insolente da mulher portuguesa. Como um brinco doirado que luz numa orelha pequenina, o Norte dá nas vistas sem se dar por isso. As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos verdes-impossíveis,daqueles em que os versos, desde o dia em que nascem, se põem a escrever-se sozinhos. Têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas. Olham de frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão confiança. Olho para as raparigas do meu país e acho-as bonitas e honradas, graciosas sem estarem para brincadeiras, bonitas sem serem belas, erguidas pelo nariz, seguras pelo queixo, aprumadas, mas sem vaidade. Acho-as verdadeiras. Acredito nelas. Gosto da vergonha delas, da maneira como coram quando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um estalo ou de uma panela, quando se lhes falta ao respeito. Gosto das pequeninas, com o cabelo puxado atrás das orelhas, e das velhas, de carrapito perfeito, que têm os olhos endurecidos de quem passou a vida a cuidar dos outros. Gosto dos brincos, dos sapatos, das saias. Gosto das burguesas, vestidas à maneira, de braço enlaçado nos homens. Fazem-me todas medo, na maneira calada como conduzem as cerimónias e os maridos, mas gosto delas. São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem. As mulheres do Norte deveriam mandar neste país. Têm o ar de que sabem o que estão a fazer. Em Viana, durante as festas, são as senhoras em toda a parte. Numa procissão, numa barraca de feira, numa taberna, são elas que decidem silenciosamente. Trabalham três vezes mais que os homens e não lhes dão importância especial. Só descomposturas, e mimos, e carinhos.
O Norte é a nossa verdade. Ao princípio irritava-me que todos os nortenhos tivessem tanto orgulho no Norte, porque me parecia que o orgulho era aleatório. Gostavam do Norte só porque eram do Norte. Assim também eu. Ansiava por encontrar um nortenho que preferisse Coimbra ou o Algarve, da maneira que eu, lisboeta, prefiro o Norte. Afinal, Portugal é um caso muito sério e compete a cada português escolher, de cabeça fria e coração quente, os seus pedaços e pormenores.
Depois percebi. Os nortenhos, antes de nascer, já escolheram. Já nascem escolhidos. Não escolhem a terra onde nascem, seja Ponte de Lima ou Amarante, e apesar de as defenderem acerrimamente, põem acima dessas terras a terra maior que é o 'O Norte'.
Defendem o 'Norte' em Portugal como os Portugueses haviam de defender Portugal no mundo. Este sacrifício colectivo, em que cada um adia a sua pertença particular - o nome da sua terrinha - para poder pertencer a uma terra maior, é comovente. No Porto, dizem que as pessoas de Viana são melhores do que as do Porto. Em Viana, dizem que as festas de Viana não são tão autênticas como as de Ponte de Lima. Em Ponte de Lima dizem que a vila de Amarante ainda é mais bonita. O Norte não tem nome próprio. Se o tem não o diz. Quem sabe se é mais Minho ou Trás-os-Montes, se é litoral ou interior, português ou galego? Parece vago. Mas não é. Basta olhar para aquelas caras e para aquelas casas, para as árvores, para os muros, ouvir aquelas vozes, sentir aquelas mãos em cima de nós, com a terra a tremer de tanto tambor e o céu em fogo, para adivinhar. O nome do Norte é Portugal. Portugal, como nome de terra, como nome de nós todos, é um nome do Norte. Não é só o nome do Porto. É a maneira que têm de dizer 'Portugal' e 'Portugueses'. No Norte dizem-no a toda a hora, com a maior das naturalidades. Sem complexos e sem patrioteirismos. Como se fosse só um nome. Como 'Norte'. Como se fosse assim que chamassem uns pelos outros. Porque é que não é assim que nos chamamos todos?"

terça-feira, 28 de julho de 2009

pensar e reflectir



"E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."
Miguel Sousa Tavares

domingo, 26 de julho de 2009

UMA NOVA GERAÇÃO DA FAMILIA SOUSA LEVENTA O TROFÉU

Se é possível nos fazemos senão o é torna-mo-lo


XIII triatlo Jovem de Avis - Juvenis
E O GRANDE VENCEDOR FOI:




JOÃO RAFAEL PEREIRA DE SOUSA
04/ 08/ 1994

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Direitos humanos à moda do islão - Ainda vamos acabar com leis assim :(


Uma modelo muçulmana foi condenada por um tribunal islâmico a ser chicoteada por beber uma cerveja num bar, revelou fonte judicial citada pelo jornal «Daily Mail».
Kartika Sari Dewi Shukarno foi esteve perante o juiz, esta segunda-feira, e este condenou a a sete chicotadas e a uma multa de 5,000 ringsit (984 mil euros) por consumir álcool. Para os muçulmanos consumir álcool é uma ofensa religiosa. É raro uma mulher receber esta pena, uma vez que este castigo é normalmente aplicado aos homens.
Shukarno, modelo de 32 anos, acabou por se declarar culpada das acusações de beber cerveja num bar de hotel, em Agosto de 2008.
Os clubes nocturnos da Malásia servem álcool, mas não são obrigados legalmente a verificar se os clientes são muçulmanos antes de os servirem. O clube não foi acusado de nenhuma ofensa.
O juiz não especificou o porquê de uma sentença tão severa, segundo a mesma fonte.
P.S.
Eu qual Viriato quando os sarracenos vierem por ai acima subo a Estrela e com paus e com pedras enquanto tiver forças hei-de lutar contra a infâmia

segunda-feira, 13 de julho de 2009

e 5 anos depois... 06 de Junho de 2004 - 29 de Junho 2009

Exmo. Senhor Director Regional de Educação
Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal de câmara de lobos
Exma. Senhora Presidente da Assembleia-geral da Associação Insular de Geografia;
Exmos. Colegas da Direcção da Associação insular de Geografia;
- Excelências
– Demais personalidades, minhas senhoras e meus senhores;

Boa tarde a todos e muito obrigado por se juntarem a nós nesta tarde, mau grado as vossas ocupadas agendas. A vossa presença honra-nos e por isso esperamos que o projecto que aqui vos apresentamos cumpra as expectativas e acima de tudo seja útil.

E para começar gostaria de recordar uma afirmação do Prof. Jorge Gaspar
“A constituição de uma Associação de Geografia na Região Autónoma da Madeira é um acontecimento relevante para a vida científica e pedagógica lusófona e um marco na História da Geografia portuguesa”.

É com especial emoção que participo nesta sessão, subordinada à apresentação do guia de geografia da RAM para o 9º ano e que ao mesmo tempo entronizará os novos corpos sociais da nossa Associação.

· Neste dia vão-me perdoar por falar em retrospectiva e assim começar por dizer que nem todas as nossas grandes expectativas iniciais foram atendidas em todas as áreas,
· por exemplo a revista Georam, que teve três edições e não as onze previstas para esta data”,
· mas peço-vos que regressemos dez anos atrás no tempo e ai constatamos que não tínhamos formação da nossa ciência de forma sistemática na região,
· não tínhamos esse momento memorável para alunos, famílias e professores, no qual premiamos os melhores alunos da RAM,
· não tínhamos as conferências do atlântico, seminários, encontros de geografia regional que até nós trouxemos nestes anos académicos tão consagrados como Anthoine Bailey, Louis Marrow, Eric Clark, João Ferrão, Jorge Gaspar, Carminda Cavaco, Rosário Partidário, Carlos Costa, João Albino Silva, Alejandro Gonzalez, Carlos Santana Santana, Viriato Soromenho Marques, Filipe Duarte Santos, Fernando Rebelo, João Mora Porteiro, Fancisco Ferreira, Mario Fortuna entre outros eminentes académicos que conosco partilharam o seu vasto saber na nossa região;
· ou articulistas como Durão Barroso, Alberto João Jardim, Alberto Matta, Gerardo Delgado Aguiar, Herculano Caxinho, entre outros
· Assinamos a declaração das desertas onde consagramos a importância da geografia insular e o nosso compromisso com esta.
· Hoje temos no concelho da geografia a sede social da nossa associação, e em breve certamente teremos ainda melhores instalações, com o apoio da nossa autarquia.
· Sr, presidente quando outros assobiaram para o lado dum modo desconfiado vossa excelência disse presente e sinto que vossa excelência Sabe que pode contar com a minha colaboração tal qual sempre tive a de vossa excelência.
· Instituições como a nossa só podem continuar a exercer a sua actividade com apoios, pois o saber cientifico no nosso país não dá para subsistir, ao longo destes anos a secretaria regional de educação em particular e a direcção regional de educação em especial foram garantes do funcionamento desta casa, se a câmara municipal instalou, vossa excelência sr, director regional acreditou, apoiou e deu-nos a honra de realizar um projecto que nos tínhamos proposto quando ainda éramos delegação regional da associação de professores de geografia.
· Hoje aqui neste momento concluímos o trabalho que nos solicitou com a apresentação do guia de geografia do 9º ano, Sr. Director jamais me esquecerei daquela tarde em que vossa excelência me convidou a organizar uma equipa para regionalizar os conteúdos de geografia, da confiança depositada, que foi acompanhada por efectivas condições técnicas e financeiras para realizar o projecto, sr. Director se este projecto é nosso mais foi de vossa excelência.
· E se Vossa excelência apoiou desde sempre esta instituição a mim marcou-me indelevelmente seja na maneira como exerci a liderança, seja no bom senso que me ensinou a ter nas decisões a tomar, também por isso senhor director regional estou-lhe grato e muito lhe agradeço.
· Eu agradeço a todos vós, geógrafos, tutela, autarcas, amigos pelos momentos em que tive êxito, e peço-vos desculpa pelos momentos em que dalgum modo vos defraudei.
… obrigado e bem hajam…

João Daniel, Joaquim Sousa, Rui Anacleto, Arlindo Gomes, Oliveira Rolo

domingo, 28 de junho de 2009

para ler e reflectir


Os milhões de muçulmanos que nos últimos anos desaguaram na Europa, vieram para cá com uma mão à frente e outra atrás, suplicando emprego e protecção democrática.
Umas vezes por caridade, outras por conveniência, outras ainda por desleixo, recebemos nas nossas casas, estes restos humanos de uma cultura retrógrada, e temo-los agora instalados no sofá, de telecomando na mão, a ditar ordens sobre o que vestimos, o que comemos, o que dizemos, o que desenhamos, e a largar postas de pescada sobre aquilo que somos e o que, na sua opinião, devemos ser.
Um pouco por toda a Europa, estas guardas avançadas da jihad contam com aliados compreensivos e dispostos a pôr-se de gatas, declamando o credo multiculturalista que, manejado por uma certa esquerda, divide as sociedades e detrói o pluralismo.A História ensina-nos que uma sociedade dividida em comunidades que recusam as regras nas quais assenta a vida em comum, dificilmente sobreviverá ao tempo, especialmente quando uma dessas sub comunidades se apoia no dogmatismo e é geneticamente intolerante.


Os exemplos do suicídio europeu abundam


Ainda à poucas semanas, por exemplo, o Presidente da Câmara de Treviso, Itália, decidiu que as mulheres podiam frequentar a escola vestidas com a burka, com o apoio entusiasmado da Ministra da Família, a Srª Rosy Bindi, pertencente a um governo de esquerda.
A Srª Rosy, chegou mesmo ao ponto de dizer que esse vestuário é um “símbolo de civilização” e equiparou-o ao crucifixo.
Esta discussão já aconteceu em França, no Reino Unido, na Holanda, etc, mas a esquerda repete, ali como em todo o lado, ad eternum as mesmas sentenças estratosféricas e erradas, as mesmas comparações disparatadas.
O véu islâmico não é um crucifixo, mas sim um símbolo externo da submissão feminina e uma marca do seu papel subordinado na vida social e familiar.
A burka é um caso extremo e tapa totalmente o rosto, deixando apenas os olhos descobertos, se bem que existam versões que até os olhos ocultam, obrigando as mulheres a ver o mundo aos quadradinhos, por detrás de uma rede. Isto cria problemas para elas, podemos imaginar, mas também para a sociedade, uma vez que dificulta a identificação e a interacção social. Mas é sobretudo uma maneira de proclamar a impureza da mulher e o seu estatuto de mera propriedade do macho.
Nas nossas sociedades, a igualdade entre sexos é algo que não podemos relativizar em função de banalidades multiculturalistas. Faz parte, tal como a liberdade de expressão, dos alicerces da civilização e tenho a certeza de que nenhum pai gostaria que as suas filhas vivessem numa sociedade onde fossem sujeitas a este tipo de imposições. É por isso que é obsceno que uma governante diga que esta vergonha é um “símbolo de civilização” .
É também falacioso comparar o uso de um crucifixo ao pescoço, com a exigência islâmica quanto ao vestuário feminino. Desde logo porque o crucifixo é um símbolo discreto, não implica discriminação sexual, nem é uma imposição cultural.
Este tipo de comparações disparatadas revela apenas a hipocrisia dos multiculturalistas sempre prontos a criticar e condenar de forma intolerante, a "sua" cultura e sociedade, ao mesmo tempo que manifestam uma excepcional tolerância e total compreensão para com as culturas alheias. É caricato que pessoas que se consideram a si mesmas “progressistas”, tenham atitudes e opiniões sobre a dignidade humana, que chocam directamente com tudo aquilo que foi duramente alcançado ao longo de séculos de luta. Em vez de procurarem alargar essa dignidade a grupos descriminados de outras culturas, dispõem-se a perpetuar situações a intoleráveis, reconhecendo estatutos opressores e discriminatórios, como aconteceu recentemente na Alemanha, onde uma juíza sentenciou que os homens muçulmanos podiam bater nas mulheres, porque era “uma questão cultural”.
No caso do véu, o argumento de que as mulheres o usam porque querem, é obsceno. Desde pequenas são sujeitas a uma pressão social e familiar a que poucas conseguem fazer frente. Em França, foram referidos inúmeros casos de ameaças explícitas e agressões por parte de “vigilantes” islâmicos, sobre as raparigas em idade escolar.
A chantagem parece resultar e aí temos as democracias a renunciarem aos seus princípios fundamentais, em nome de um multiculturalismo imbecil e suicida.