segunda-feira, 2 de novembro de 2009

domingo, 1 de novembro de 2009

9ª jornada - Sporting de Braga

Sp. Braga-Benfica, 2-0

«Triplete» à moda do Minho frente a um Benfica em branco

O Sp. Braga completou um «triplete» à moda do Minho. Derrubou Sporting, F.C. Porto e Benfica para ocupar isolada e orgulhosamente o cume da Liga 2009/10. Temos candidato. Ainda há dúvidas? Hugo Viana deu o mote, Paulo César aplicou a estocada final (2-0). Jesus viu a sua equipa ficar em branco, pela primeira vez na competição.

Jorge Sousa cometeu erros, o Benfica tem maiores razões de queixa, sim senhor. Mas nem tudo se explica por aí. Jogo grande, enorme. Um ambiente à altura de um embate entre líderes. A melhor defesa da Liga, com apenas um golo sofrido no Estádio AXA, recebia o ataque mais temível, com trinta cartões de visita em apenas oito jornadas.

A Pedreira engalanou-se, rochas polidas e bancadas bem compostas (24.188 espectadores). O Sp. Braga arrecada mais de 400 mil euros de receita, provenientes de ingressos que chegavam aos 65 euros para o adepto comum. O espectáculo foi bom, muito bom até, mas não cheguemos a tanto.

Em casa mandam eles

Feitos os parênteses, eis o futebol. O Sp. Braga entrou em campo sem deixar o Benfica respirar, utilizando a melhor arma do inimigo contra uma equipa habituada a dominar desde o primeiro minuto. Cardozo escapou ao amarelo, Coentrão não. Falta, bola para Hugo Viana. Assim mesmo, a frio, aquele pé esquerdo fez a bola passar por cima de onze benfiquistas e entrar junto ao ângulo da baliza de Quim. Golo portentoso!

O Benfica entranhava a desvantagem mas tentava responder de imediato. Valeu Eduardo, desviando remates de Ramires e Di María. Nas bancadas, desacatos evitáveis, com uma tocha a cair em cima de adeptos do Sp. Braga, devido à má colocação dos seguidores do clube da Luz.

Casos para não variar

Ao minuto 28, o primeiro caso. Após livre de Aimar, ouve-se o apito de Jorge Sousa. Luisão acaba por marcar de cabeça, mas o árbitro tinha assinalado uma falta de Cardozo sobre Leone, momentos antes. Discutível a infracção, fica o registo de uma decisão tomada antes de surgir o desvio fatal para a baliza do Sp. Braga.

A partir daí, o caldo foi-se entornando. O Benfica reagia mal, Mossoró e Alan obrigavam Quim a duas defesas providenciais e Saviola via um amarelo por simular uma grande penalidade.

O intervalo chegou com uma péssima propaganda para o futebol.Tudo começou em Dí Maria, que ficou agastado com o facto de os elementos do banco do Sp. Braga queimarem tempo. Fez um mau lançamento, terminou a primeira parte e o argentino chutou a bola em direcção ao banco arsenalista, cuspindo de seguida. Lançou-se a confusão, com contornos imperceptíveis para os jornalistas colocados na bancada.

Dividir o mal pelas aldeias

Sp. Braga e Benfica regressaram ao rectângulo de jogo com uma disposição estranha. Aí, percebeu-se que Jorge Sousa expulsara Leone e Cardozo, na sequência dos desacatos generalizados, no túnel. Não seriam os mais exaltados, pelo que foi possível constatar, mas louve-se ao menos a firmeza, a tomada de decisões, em contraste com a habitual assobiadela para o lado, em situações do género.

Domingos Paciência trocou Meyong por Rodriguez, abdicando da referência atacante para repor o stock defensivo. O Benfica respondia com Keirrison, pouco depois. Pelo meio, um par de decisões contestáveis, por parte do árbitro da partida. João Pereira, por exemplo, escapou ao segundo amarelo em lance com Dí Maria. O argentino manteve a chama visitante, Keirrison falhou a oportunidade mais escandalosa mas o Sp. Braga foi estabilizando.

Ao minuto 78, a machada final. Jesus não mexera mais na equipa, estranhamente. Matheus recebe na área, cruza para Paulo César e este fuzila Quim. Moisés salva um golo do Benfica pouco depois. O Sp. Braga saiu do palco como entrou: comportando-se como um grande. «Follow the leader», ouviu-se no AXA.

Hugo Viana, a selecção espera-o
O futebol português resgatou do esquecimento um dos seus maiores talentos. No Sp. Braga, Hugo Viana readquiriu o prazer pelo jogo. O resto esteve lá sempre. A certeza no passe - curto ou longo - a leitura sempre correcta da partida, a colocação inteligente no rectângulo do jogo e, claro, o remate mortífero. O remate que abateu a águia, logo aos sete minutos. Uma execução soberba de um jogador que tem tudo para voltar rapidamente à Selecção Mundial.

Mossoró, técnica prodigiosa
Não é forte nem especialmente rápido, mas tem uma técnica prodigiosa. Perfeito na forma como recebe e entrega a bola, como lê e concebe cada acção. Aos 38 minutos surgiu isolado sobre a esquerda e rematou às malhas laterais da baliza do Benfica. Logo a seguir, numa tabela genial com Alan conseguiu isolar o brasileiro. Talvez tenha saído demasiado cedo na partida, embora se perceba a opção de Domingos pela velocidade de Matheus para os últimos 30 minutos. O ano passado teve um rendimento muito intermitente com Jorge Jesus, mas está visto que é, de facto, um dos melhores valores desta Liga. Faz lembrar Deco na forma como corre e trabalha a bola.

Di María, inspirado e provocador
O melhor do Benfica. Impressionante a forma como consegue ganhar alguns lances aparentemente impossíveis. Remate fantástico aos 13 minutos, a obrigar Eduardo a uma grande defesa, fricção plena no duelo com João Pereira, iniciativas e mais iniciativas recheadas de perigo, sempre pela esquerda. A lamentar somente a atitude feia imediatamente antes do intervalo. Provocou o banco do Sp. Braga e esteve na origem de uma zaragata das grandes.

Moisés, o caça-gigantes
Torre inexpugnável, mesmo perante a ameaça de gigantes como Luisão e Javi García. Corte providencial aos 23 minutos, sobre um enleante Di María. Decisivo nesse momento, como haveria de ser noutros. Aos 79, por exemplo, evitou em cima da linha o golo do Benfica. Implacável no jogo aéreo, essencial na organização e na comunicação de todos os elementos da sua equipa. Aqui está um belo defesa central.

Saviola, que se danem Barcelona e Madrid
Atravessa um grande momento. Mesmo não marcando qualquer golo, espalhou a preocupação na defesa arsenalista em vários períodos. Recuou bastante no terreno, quis sempre ter a bola e compensou largamente o bloqueio criativo de Pablo Aimar. Reencontrou no Benfica a confiança que perdera em Barcelona e em Madrid.

Quim, absolvido
Adiou o segundo golo do Sp. Braga o mais que pôde. Três ou quatro belas intervenções. Sai absolvido desta derrota.

Paulo César, demoníaco
Domingos preferiu abdicar de Meyong e manter Paulo César em campo. A história do jogo deu razão ao técnico. Com mais espaço na segunda parte, foi um demónio à solta. Marcou com convicção perene o golo que sentenciou o destino da partida. Está em grande forma.


F.C. Porto-Belenenses, 1-1

O coração não consegue escamotear a banalidade

Entrar a assobiar para o ar, passear uma altivez desajustada, jogar sem intensidade nem ponta de dinamismo. Sofrer um castigo justo com o golo do Belenenses, despertar atordoado pela humilhação, reagir com o coração aos pulos e marcar pelo salvador do costume. Usar e abusar da paciência dos fiéis adeptos, usar e abusar da passividade e dos cruzamentos condenados ao esquecimento, sem magia nem criatividade.

Onde anda a calidez qualitativa de outras eras? Este F.C. Porto 2009/10 tem apresentado argumentos desinteressantes, mas camuflados com bons resultados e discursos cheios de lugares comuns. Esta igualdade diante do débil Belenenses, porém, só pode fazer accionar o sinal de alarme no reino azul e branco.

A primeira parte foi péssima, toldada por um futebol prosaico, corriqueiro. A segunda, agitada pela ondulação do escândalo, viveu da ânsia descontrolada. O F.C. Porto deixou para muito tarde o que tinha a obrigação de fazer bem cedo. Poderia ter ganho, sem dúvida, e isso seria o fruto natural da pressão exercida na última meia-hora.

Mas a química não flui no ataque, não entumece os mecanismos intermediários e fragiliza a defesa. Em resumo: frente ao Belenenses, o F.C. Porto exibiu-se com estrepitosa banalidade.

Três pontos cruciais na actuação dos dragões

Custa perceber as actuações recentes deste dragão. A liga gaulesa raptou três nomes importantes da última época (Cissokho, Lucho e Lisandro), mas isso explicará tudo? O problema não está no rendimento individual de Alvaro Pereira, Fernando Belluschi e Farías, mas sim na pobreza do menu apresentada semana após semana.

Ponto um: a equipa não teve qualquer dinamismo até ao intervalo; ponto dois: o Belenenses pouco atacou, mas quando o fez teve espaço para trocar a bola e respirar, dada a pressão atrofiada feita pelo Porto; ponto três: a perder, o F.C. Porto apenas sobreviveu graças ao coração gigante de alguns elementos. De resto, insistiu, insistiu e insistiu em lances mais do que previsíveis.

Ernesto Farías, uma vez mais ele, lá marcou um golo bem ao seu jeito. Depois, no forcing final, houve mais três ou quatro jogadas claras para golo. Mas aí os dragões não tiveram sorte nem engenho.

Um 4x3x3 que justifica ser repensado

Ao longo da semana, Jesualdo e seus pares evitaram ao máximo endereçar importância ao Sp. Braga-Benfica deste sábado. Compreensível. Mas a verdade é que o F.C. Porto não cumpriu a sua parte e agora fica refém do que sair da cimeira de líderes.

Caso algum dos contendores no duelo do Minho vença, os tetracampeões nacionais ficam a cinco pontos do topo. Uma distância generosa. O F.C. Porto só se pode queixar do seu mau momento e pensar urgentemente num plano alternativo a este 4x3x3 tão rudimentar.

Rudimentar não pela colocação das peças em campo, mas pela mobilidade inexistente e pelo pouco improviso. Nesta altura, por aquilo que temos visto, não é difícil anular as movimentações ofensivas do grande dominador dos últimos 25 anos do futebol nacional. Uma vez mais, o Dragão voltou a ter apenas 30 mil pessoas nas bancadas. A decepção da massa associativa é evidente.

Em nota rodapé, importa referir que o golo anulado a Ernesto Farías, aos 25 minutos, nos pareceu legal, pois a bola chega ao argentino encaminhada por um toque de Gavílan. De qualquer forma, será mais sensato reapreciar o lance através das imagens televisivas

Farías
Reclama mais oportunidades e Jesualdo Ferreira retribuiu. Chamado ao onze para o lugar de Radamel Falcao, o argentino provou que a festa do golo justifica uma mão cheia de passes falhados, alguma falta de mobilidade e um par de oportunidades perdidas. Marcou na etapa inicial, num lance invalidado de forma muito duvidosa, e repetiu a dose na segunda metade. Insistência de Falcao, um toque para dominar a bola e outro em jeito, para afastar Nélson da trajectória, rumo às redes adversárias. Chega.

Lima
Avançado com características interessantes. Média estatura, pouco peso, fugindo ao estereotipo de ponta-de-lança à moda antiga. Contudo, não foge a qualquer duelo físico. Logo nos primeiros minutos, fez falta sobre Bruno Alves e não mais se amedrontou nos duelos com o capitão do F.C. Porto. Esteve no Vizela em 2003/04, regressou ao Brasil mas parece determinado a agarrar nova oportunidade no futebol português. Ao sexto jogo, o primeiro golo, em desmarcação e com um pontapé frio, à saída de Hélton.

Zé Pedro
Os anos passam e perdura a sensação: o que falta a este Zé Pedro para merecer uma oportunidade num clube de maior dimensão? Trata a bola com carinho e esta faz-lhe todas as vontades. Cola-se ao pé esquerdo e sai, leve e redonda, para o destino escolhido pelo médio. No Dragão, o capitão do Belenenses deixou uma imagem de sacrifício extremo. Lesionou-se ao 11º minuto de jogo, em lance com Rolando, mas permaneceu no relvado. Jogou quase uma hora com o ombro direito imobilizado. Saiu pouco depois do golo de Lima, com a missão cumprida.

Bruno Alves
Perdeu alguns duelos com Lima, ainda que o golo do Belenenses não tenha nascido na sua área de jurisdição. No rescaldo da noite no Estádio do Dragão, poucos recordam a performance defensiva de Bruno Alves. Observando um cenário cinzento, a falta de soluções ofensivas, o capitão do F.C. Porto apostou regularmente nas subidas no terrenos, provocando desequilíbrios fundamentais para aumentar a chama. Cruzou, driblou, empolgou companheiros. Em lances de bola parada, registo para um par de cabeceamentos perigosos. Ao minuto 90, fez a trave abanar! É isto um capitão.

Hulk
Muito se falou dele durante a semana, após a chamada inédita para a selecção brasileira. Jesualdo Ferreira, mesmo sem pergunta sobre o tema, fez questão de congratular o avançado pela convocatória. Frente ao Beleneses, o talento bruto andou por lá, perto das explosões mas ficando-se pelos fogachos. A exemplo do que aconteceu com Diego, Luís Fabiano ou Anderson, os portistas correm o risco de perder uma estrela antes de observarem todo o seu brilho nos palcos nacionais. Vai ser enorme, sem dúvida. Para já, ainda não é.

Nélson
Bom guarda-redes, em nova chamada à baliza de um candidato inicial a sofrimento imenso. Na época passada, brilhou ao serviço do Estrela da Amadora. A formação da Reboleira tombou por dívidas, o Belenenses ocupou a sua vaga e resgatou Nélson, guardião que passou demasiados anos no banco do Sporting. No Dragão, mais algumas intervenções de qualidade, misturando estilo e atrapalhação. Eficaz, de qualquer forma.

Barge
Merece um destaque pelas sucessivas provas de adaptabilidade. Proveniente do Estoril, este médio português de 25 anos já foi de tudo um pouco, nos primeiros meses com a camisola do Belenenses. No Dragão, foi adaptado a lateral esquerdo, tremeu um pouco quando Hulk surgiu no seu corredor mas recompôs-se rapidamente e obrigou o F.C. Porto a privilegiar o flanco oposto.Bela desmarcação para o golo de Lima. Útil.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

8ª jornada

Benfica-Nacional, 6-1
Goleada rima com... tourada

O Benfica é o novo líder do campeonato, depois de golear o Nacional por 6-1 e beneficiar do empate do Sp. Braga em Vila do Conde. Nove meses depois, os encarnados regressam ao primeiro lugar, uma semana antes de visitarem o líder deposto.

Foi, uma vez mais, o Benfica das goleadas (ou touradas, tantos os «olés», além da confusão no túnel ao intervalo) a apresentar-se em cena, aquele que se agiganta na arena quando espicaçado. Fica o aviso, mais um. A quarta goleada da época (8-1 ao V. Setúbal, 4-0 ao Belenenses e 5-0 ao Leixões), a segunda consecutiva (e que o Everton dificilmente esquecerá), surgiu com a naturalidade de quem ambiciona ser campeão e não foi preciso... prometer.

Sete golos, o do Nacional em fora-de-jogo, um bem anulado a Saviola pelo mesmo motivo, duas grandes penalidades convertidas (uma forçada por Aimar), três grandes defesas de Bracali e duas expulsões foram os ingredientes de um jogo, desde logo temperado pela rivalidade de dois treinadores que não se suportam.

Jorge Jesus antecipou as dificuldades, só não imaginou que César Peixoto se lesionaria no aquecimento. A emenda foi determinante, com Fábio Coentrão a brilhar em campo e a mostrar que é jovem mas pensa como adulto. Já Manuel Machado alterou uma equipa que se adapta a qualquer esquema, deixando no banco Pecnik, uma das figuras de Bilbau. Leandro Salino também ficou, entrando Tomasevic para a defesa, Edgar Costa para o miolo e João Aurélio para a frente.

O Nacional chegou à Luz com estatuto de quarto classificado, que partilha com Sporting, Rio Ave e Marítimo, e o acerto na estratégia durou 17 minutos, altura em que o Benfica inaugurou o marcador. Até então, falhavam ambos no último passe, com as defesas a mostrarem argumentos, ainda que Edgar Costa tenha protagonizado o primeiro remate do desafio logo aos seis minutos e que Quim desviou para canto.

Tudo fácil para os encarnados. Aimar colocou na esquerda, Coentrão cruzou rasteiro e Cardozo empurrou com afinação. Cinco minutos depois, Bracali negou o 2-0 a Di María.

Ruben Micael, que tanto queria marcar, acabou por assistir Edgar Costa no empate, aos 28 minutos. O avançado ganhou na corrida, bateu Quim com um remate na passada, mas estava adiantado.

Mais protestos se seguiriam, depois de Vasco Santos anular o golo de Saviola. Di María, de livre, colocou na área, Luisão antecipou-se à defesa e cabeceou para defesa incompleta de Bracali. Na recarga Saviola colocou dentro da baliza, mas o fora-de-jogo foi desta vez assinalado e bem.

Ainda antes do intervalo mais uma grande defesa de Bracali, a remate à queima-roupa de Ramires, também antes do intervalo o 2-1, por Saviola. Fábio Coentrão serviu o argentino e este cabeceou para a vantagem.

Os quatro dedos de Jesus

O segundo tempo arrancou com uma grande penalidade. Aimar sentiu a proximidade de Felipe Lopes e deixou-se cair, o castigo máximo foi assinalado. Cardozo encarregou-se de marcar e... não falhar.

Entrou Mateus, depois Pecnik no Nacional, mas foi o Benfica quem continuou a pressionar. Coentrão fugiu na esquerda, cruzou para Cardozo, este atrapalhou-se, mas ainda conseguiu servir Saviola, que atirou para o 4-1. Jorge Jesus virou-se para o banco do Nacional e mostrou quatro dedos, o número de golos marcados, em jeito de provocação.

A segunda provocação, a da vitória consumada, mas não ainda por estes números, deu-se aos 70. Saíram Aimar e Saviola, entraram Carlos Martins e Ruben Amorim. A gestão. O médio acabou por sair lesionado para a entrada de Nuno Gomes, seguiram-se mais dois golos, um do avançado, e a festa encarnada.

Nunca uma segunda-feira terá sido tão reconfortante, sobretudo para os mais de 47 mil adeptos presentes no Estádio da Luz. No final, buzinas na rua.

Fábio Coentrão
Não estava previsto figurar no «elenco» inicial, mas foi chamado, à última da hora, para render César Peixoto que se lesionou no aquecimento. Os olhares concentraram-se na cabeleira loira do jovem extremo que ia jogar, pela primeira vez, a lateral, nas costas de Di Maria. Fez todo o corredor, num entendimento táctico quase perfeito com David Luiz e Di Maria, tornando o flanco mais activo do ataque dos encarnados. Logo nos primeiros minutos percebeu-se que ia ser uma das figuras do jogo, aproveitando muito bem o espaço vazio à sua frente, uma vez que Patacas só tinha olhos para Di Maria. Recorrendo à sua velocidade, surpreendeu a defesa madeirense com um sprint a puxar pela assistência perfeita de Aimar para depois, com espaço, colocar a bola na bota fulminante de Cardozo para o primeiro golo. No meio de muita luta com Edgar Costa, voltou a aparecer num canto curto para cruzar com precisão para o segundo poste, para Saviola fazer o segundo. A noite estava ganha. Mas ainda havia mais. Novo sprint e nova assistência para o quarto golo da noite.

Di Maria
O espaço que Fábio Coentrão teve para brilhar esta noite deve-o, em grande parte, aos movimentos deste argentino que não sabe estar quieto. Esta noite não marcou, embora tenha tido uma oportunidade soberana para isso, nem fez assistências, mas, quem viu o jogo, tinha a certeza que iria figurar nesta lista de destaques. É ao acelerador desta equipa. Quando carrega no pedal, arrasta toda a equipa atrás dele.

Saviola
Outro jogador que esteve em plano de destaque, sempre em jogo (com excepção no golo anulado), em constantes movimentações, a abrir espaços, a jogar e a fazer jogar. Apresentou o seu cartão de visita com uma excelente abertura para Di Maria que só não resultou no segundo golo porque Bracalli não deixou. Na área, deixa-se marcar para no último instante, num curto espaço de terreno, fugir à sua «sombra» e tentar a sua sorte. Fez um primeiro ensaio com a cabeça a uma recarga a um primeiro remate de Luisão, mas foi rápido demais. À segunda tentativa, não falhou. Num cruzamento largo de Coentrão, surgiu do nada para encostar de cabeça para o segundo do Benfica. Voltou a marcar na segunda parte, ao tornar simples o que Cardozo estava a complicar.

Pablo Aimar
Uma exibição «matreira», não só pelo penalti que «cavou», mas pela forma aparentemente «discreta» que esteve em campo. Não se deu muito por ele, não esteve directamente nos lances dos golos, mas estava sempre presente, lá atrás, a arquitectar a estratégia encarnada. Muitos dos lances de perigo nasceram de um passe do argentino que abria corredores para os «velocistas», como Coentrão, Saviola e Di Maria, explorarem. Quando não havia espaços, lá ia ele, com o drible curto a improvisar uma abertura. Numa dessas insistências, arrancou a grande penalidade que matou definitivamente o jogo. Saiu ao som de intensos aplausos.

Ruben Micael
Não marcou o golo que tinha anunciado para a Luz, mas deu um a marcar no meio de uma exibição razoável. Jogou atrás de Edgar Costa e João Aurélio, no território de Javí Garcia, estabelecendo, a espaços, a ligação com o ataque. Fez a assistência para o golo do empate e foi decisivo na manutenção do equilíbrio de forças na primeira parte. Quando desapareceu do jogo, o Nacional foi definitivamente ao fundo.





F.C. Porto-Académica, 3-2

Jesualdo Ferreira deu mais uma lição no 150º jogo como treinador do F.C. Porto. O aluno Villas Boas, com pinta de traquina, juntou os estudantes num bloco baixo, o Dragão bocejou durante uma hora mas despertou na medida certa. Mariano, o mal-amado, ficou em campo por teimosia do professor. Resultado: um golo e uma assistência. Farías saltou do banco para completar a obra. A Académica nunca desistiu (3-2).

O F.C. Porto foi medíocre, mau até, durante largo período. A vitória disfarça uma exibição sem chama de Dragão, antes do minuto 66, o momento de viragem. Os campeões cresceram, ameaçaram esmagar o último classificado, mas ficaram sempre demasiado perto da mediania. À medida das necessidades.

Os dragões entraram em campo com o mesmo figurino. Fucile surgia pelo corredor direito, na confirmação de uma temporada de grande nível. Um pique, um cruzamento, uma picada. O lateral terminava a sua história aí. Com cinco minutos de jogo, surgia Sapunaru.

A lesão de Jorge Fucile aumentava o cinzentismo do cenário. Uma noite fria no Porto, muitas cadeiras vazias (menos de 30 mil espectadores), um banco de suplentes sem grandes soluções ofensivas.

André Villas Boas motivava desconfiança generalizada. Pinta de Mourinho, estágio prolongado com um homem que deixou imensas saudades no Porto. Do outro lado, Jesualdo Ferreira, 150 jogos como treinador dos dragões. Em três anos, três campeonatos, afastando continuamente os contestatários. Silenciando-os, pelo menos. Ao primeiro deslize, eles voltam.

Mudem a música!

Aceleremos o filme de jogo para o minuto 41. Cristian Rodriguez dispara de fora da área. Rui Nereu faz a sua primeira defesa! Até então, mais Académica, um atrevimento proporcional à falta de inspiração do F.C. Porto, com insatisfação crescente nas bancadas. Desta vez, o problema não era Mariano. Hulk falhava, Fernando também, Meireles idem. Uma espiral de equívocos. Resta pouco ou nada para contar sobre aquela etapa inicial.

A festa de Jesualdo Ferreira, a celebração dos 150 jogos, começava mal. A música não encantava os presentes e apenas um convidado, indesejado por sinal, dançava com deleite. A Académica, arrumadinha e surpreendente, estudara bem a sua lição.

O espectador desinteressado olhava para o espectáculo com sobranceria. Ao intervalo, multiplicavam-se os bocejos. Os pessimistas faziam contas à vida e temiam uma metade, a segunda, ainda mais enervante. Poucas soluções no banco, clausura natural do adversário, nervos a acompanhar os ponteiros do relógio.

Rodriguez? Mariano!

Minuto 58. Jesualdo Ferreira repete a substituição operada frente ao APOEL. Sai Rodriguez, Mariano fica. Os adeptos soltam a maior assobiadela da noite. O uruguaio pontapeia uma garrafa e segue para os balneários, depois de passar pelo banco. O argentino tenta esquecer. Passa por dois adversários e cruza para fora. Mais dois pelo caminho, remate para a bancada. Não estava ali o problema.

Hulk abanou a baliza, com uma bomba ao poste, mas a noite preparava-se para a maior lição do professor. Mariano, esse mesmo, surge a cabecear na zona de penalty. As redes abanam, os SuperDragões saúdam o «patinho feio». A Académica sofre o primeiro golpe e cai logo depois, quando Mariano (sim, a repetição do nome é justificada) foge pela direita e cruza para Farías. Orlando falha o corte, Ernesto não perdoa.

Miguel Pedro ainda marcou um golaço, para premiar a arrumação estudantil, Ernesto Farías (partindo de posição duvidosa) bisou para a aparente tranquilidade mas Sougou recuperou alguns contestatários com o segundo golo da Académica, em cima da meta (3-2). O F.C. Porto iguala o Benfica, à condição, e fica a três pontos do líder Sp. Braga, antes do duelo entre encarnados. Alguém se importa com as dificuldades?

Mariano, em análise prolongada
Não é fácil escrever sobre este argentino. Mariano sobrevive numa espécie de relação amor/ódio com a massa associativa. E sobrevive, principalmente, porque Jesualdo Ferreira não o deixa cair. O antigo jogador do Inter é um atleta estranho, de facto. Diferente. Irregular, capaz do melhor e do pior na mesma jogada. O minuto 61, de resto, é a síntese do seu futebol. Ultrapassa em habilidade dois defesas, as bancadas empolgam-se e logo a seguir centra de forma perfeitamente disparatada. Muito racionalmente, que jogador é este? É um jogador com preocupantes níveis de instabilidade, acima de tudo. Tecnicamente é limitado, principalmente ao nível da recepção, mas possui também muitas valências: forte fisicamente, abnegado, experiente, dinâmico se estiver devidamente moralizado. Marcou o primeiro golo e cruzou para o segundo. Sai com as baterias anímicas carregadas, apesar de 60 minutos paupérrimos.

Farías, a importância de ser Ernesto
Tem uma relação privilegiada com o golo. Aprecie-se, ou não, o estilo. Lançado uma vez mais num período crítico do jogo, respondeu com as armas do costume: concentração e ferocidade máxima na área de finalização. Um golo pleno de oportunidade, outro culminado com um pontapé cirúrgico. Um suplente de luxo. Apesar do papel secundário dentro do plantel, é importante ser Ernesto.

Falcao, a falhar o que não pode
Segunda partida consecutiva a falhar escandalosamente um golo feito. Depois do APOEL, a Académica. O colombiano tem demonstrado atributos de excelência, mas terá de recuperar a frieza e a mordacidade na cara dos guarda-redes contrários. Farías está à espreita e fez dois golos em 30 minutos.

Raul Meireles, longe de ser comandante
Claramente abaixo do expectável. O F.C. Porto precisa urgentemente de um patrão para o período pós-Lucho e Raul Meireles não se consegue assumir nesse papel. Mais um jogo fraco, num início de época decepcionante.

Miguel Pedro, momento soberbo
Grande golo de um jogador que promete mais do que mostra. Senhor de uma técnica individual soberba, Miguel Pedro está a chegar àquela fase em que tem de aplicar uma dose generosa de consistência ao seu futebol. Repita-se, porém: um golo fantástico no Estádio do Dragão.

Rui Nereu, uma segunda vida
André Villas Boas terá gostado do que fez no jogo da Taça de Portugal e entregou-lhe a baliza. Na primeira vez a titular em jogos da Liga 2009/10, o guarda-redes formado no Benfica respondeu com serenidade. Aproveitou a frágil labareda do adversário para ir ganhando confiança e fez a primeira defesa apenas aos 41 minutos, imagine-se! Tem aqui uma bela oportunidade para contrariar a opinião dos maledicentes. Aqueles que sempre consideraram não ter qualidade para jogar num grande clube. Defesa extraordinária aos pés de Falcao, a dez minutos do fim. Sem hipóteses nos golos.

Pedrinho, o pragmatismo fica-lhe bem
Lateral de vistas largas. Ofensivo, veloz, não raras vezes sonhador. Esta última característica tem limitado a sua evolução na Liga. Prejudica-se por arriscar em demasia, não raras vezes. No Dragão mostrou estar mais pragmático. Segurou Rodríguez nos primeiros instantes, parou Hulk três ou quatro vezes sem falta e ainda teve forças para apoiar Sougou. Tem 24 anos e futebol suficiente para fazer uma carreira bonita.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

22 de Setembro - A causa persiste, a esperança vive e o sonho nunca vai morrer..


– Exmo. Senhor Presidente do Governo Regional
– Exmos. Senhores Secretários Regionais
– Exmos. Senhores Directores Regionais
– Exmo. Senhor Presidente da Assembleia Municipal de Câmara de Lobos
– Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal de Câmara de Lobos
– Exmos. Senhores deputados à Assembleia Legislativa da RAM
– Reverendíssimo cónego
– Demais individualidades representadas
– Excelências
– Minhas Senhoras e meus Senhores
– Meninas e meninos
Cabe-me enquanto director indigitado da escola, apresentar hoje aqui perante vós este projecto, um projecto que alguns transvertidos em velhos do Restelo dos tempos modernos, diziam ser impossível de concretizar. Mas como cada dia é um dia, o nosso dia sempre chegou e o que não era mais do que uma necessidade sentida transformou-se em realidade.A escola do 2º e 3º ciclos do Curral das Freiras será com a participação de todos uma escola de referência, onde poderão ser potenciados sonhos e capacidades, educados valores e conhecimentos, onde o sucesso o trabalho e o respeito caminharão de mãos dadas.

Não tenho a menor dúvida que em dois anos seremos a escola de câmara de lobos com melhores resultados, em quatro estaremos entre as melhores da Madeira e numa década seremos a melhor escola pública portuguesa nos exames nacionais de terceiro ciclo.Temos uma equipa de professores fantástica, com profissionais dedicados e empenhados, uma comunidade sedenta de conhecimento, uma autarquia participativa e uma secretaria que valoriza as pessoas e a sua formação. E antes de passar a palavra aos nossos ilustres intervenientes, encerro esta curta intervenção recordando um clássico do cinema 2001-odisseia no espaço – em que um nosso antepassado Australopitecus Afarensis lança ao ar um osso, logo depois de o ter usado.Nos breves segundos em que o fémur rodopia no espaço, o realizador Stanley Kubrick transporta-nos do Pleistoceno até à era das viagens interplanetárias.E é no ambiente moderno e sublime destes espaços de educação e cultura, que temos um pouco por toda a nossa região, símbolo primeiro deste novo Portugal, que transporta um passado glorioso, pelo qual somos respeitados e conhecidos em todo o mundo, e com o qual nos encontramos sempre que acreditamos em nós mesmos, tal qual no filme urge deixar para trás estes tempos em que estamos, e olhar para os novos desafios e agarra-los com ambas as mãos.Na Madeira temos uma longa tradição enquanto construtores do futuro e para esta equipa de professores a construção do futuro é uma tradição que nos agrada manter – Ainda que sem a violência do filme.Minhas senhoras e meus senhores uma garantia vos deixamos o nosso compromisso ético e deontológico com a escola, com a freguesia e com a nossa região é total e fica aqui assumido Sr. Presidente, com a certeza que o trabalho vai continuar. Que a causa persiste, a esperança vive e o sonho nunca vai morrer.

Joaquim José Sousa
22 de Setembro de 2009

homenagem aos melhores professores.. os meus


Profs....a culpa é deles!

Neste momento, é óbvio para todos que a culpa do estado a que chegou o ensino é (sem querer apontar dedos) dos professores. Só pode ser deles, aliás. Os alunos estão lá a contragosto, por isso não contam. O ministério muda quase todos os anos, por isso conta ainda menos. Os únicos que se mantêm tempo suficiente no sistema são os professores. Pelo menos os que vão conseguindo escapar com vida.

É evidente que a culpa é deles.

E, ao contrário do que costuma acontecer nesta coluna, esta não é uma acusação gratuita. Há razões objectivas para que os culpados sejam os professores.
Reparem: quando falamos de professores, estamos a falar de pessoas que escolheram uma profissão em que ganham mal, não sabem onde vão ser colocados no ano seguinte e todos os dias arriscam levar um banano de um aluno ou de qualquer um dos seus familiares.
O que é que esta gente pode ensinar às nossas crianças? Se eles possuíssem algum tipo de sabedoria, tê-Ia-iam usado em proveito próprio. É sensato entregar a educação dos nossos filhos a pessoas com esta capacidade de discernimento?
Parece-me claro que não.
A menos que não se trate de falta de juízo mas sim de amor ao sofrimento.
O que não posso dizer que me deixe mais tranquilo. Esta gente opta por passar a vida a andar de terra em terra, a fazer contas ao dinheiro e a ensinar o Teorema de Pitágoras a delinquentes que lhes querem bater. Sem nenhum desprimor para com as depravações sexuais -até porque sofro de quase todas -, não sei se o Ministério da Educação devia incentivar este contacto entre crianças e adultos masoquistas.

Ser professor, hoje, não é uma vocação; é uma perversão.

Antigamente, havia as escolas C+S; hoje, caminhamos para o modelo de escola S/M. Havia os professores sádicos, que espancavam alunos; agora o há os professores masoquistas, que são espancados por eles. Tomando sempre novas qualidades, este mundo.
Eu digo-vos que grupo de pessoas produzia excelentes professores: o povo cigano.
Já estão habituados ao nomadismo e têm fama de se desenvencilhar bem das escaramuças. Queria ver quantos papás fanfarrões dos subúrbios iam pedir explicações a estes professores. Um cigano em cada escola, é a minha proposta.
Já em relação a estes professores que têm sido agredidos, tenho menos esperança.
Gente que ensina selvagens filhos de selvagens e, depois de ser agredida, não sabe guiar a polícia até à árvore em que os agressores vivem, claramente, não está preparada para o mundo.
Ricardo Araújo Pereira in Opinião, Boca do Inferno, Revista Visão

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

p... chapeus há muitos..

o boné do estilo
podia ser mas não estava em fuga de Alcatraz :)

o Banif em New York City

porto santo sempre

armado em gringo em Los Angels

a caminho duns meses tipo oeste selvagem ;)

culpa do fotografo e da dimensão do barrete de orelhas :)

um hit..

a tradicional palha

domingo, 16 de agosto de 2009

1 de Setembro de 2009 - início de nova comissão de serviço

SECRETARIA REGIONAL DA EDUCAÇÃO E CULTURA
Despacho n.º 65/2009

A exigência de uma permanente adequação da rede escolar pública às necessidades educativas da Região determinou a publicação da Portaria n.º 55-A/2009, de 5 de Junho, a qual veio criar a Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos do Curral das Freiras.

Conforme o disposto no n.º 1 do artigo 61.º do Decreto Legislativo Regional n.º 4/2000/M, de 31 de Janeiro, com as alterações introduzidas pelo Decreto Legislativo Regional n.º 21/2006/M, de 21 de Junho, normativo que veio aprovar o regime de autonomia, administração e gestão dos estabelecimentos de educação e de ensino públicos da Região Autónoma da Madeira, os estabelecimentos dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico em fase de instalação são geridos por uma comissão executiva instaladora, constituída por três ou cinco elementos, consoante o número de alunos.

Atendendo ainda que para o número de alunos do estabelecimento de ensino corresponde um órgão de gestão integrado por três elementos.

Nestes termos e ao abrigo dos artigos 14.º e 61.º do Decreto Legislativo Regional n.º 4/2000/M, de 31 de Janeiro, com a redacção dada pelo Decreto Legislativo Regional n.º 21/2006/M, de 21 de Junho, conjugados com a Portaria n.º 55-A/2009, de 5 de Junho, determino:

1 - A Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos do Curral das Freiras encontra-se em regime de instalação.

2 - É nomeado Presidente da Comissão Executiva Instaladora da Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos do Curral das Freiras o Professor Joaquim José Batalha de Sousa, docente do grupo 420, pertencente ao quadro da Escola Básica e Secundária da Ponta do Sol e requisitado na Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos do Curral das Freiras.

3 - São nomeados Vice-Presidentes da Comissão Executiva Instaladora da Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos do Curral das Freiras o Professor Francisco José Carvalho de Freitas, docente do grupo 250, pertencente ao quadro deste estabelecimento de ensino e a Professora Lígia Maria Rodrigues de Sousa Joaquim, docente do grupo 300, pertencente ao quadro da Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos Cónego João Jacinto Gonçalves de Andrade e requisitada na Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos do Curral das Freiras.

4 – A comissão instaladora é nomeada pelo prazo de um ano e no âmbito das suas competências deverá promover as eleições para o Conselho Executivo ou Director.

5 - As nomeações referidas nos 2 e 3 produzem efeitos a partir de 1 de Setembro de 2009, produzindo igualmente efeitos nessa data as requisições dos docentes.

Secretaria Regional de Educação e Cultura, aos 10 dias do mês de Agosto de 2009.

O SECRETÁRIO REGIONAL DE EDUCAÇÃO E CULTURA,

Francisco José Vieira Fernandes

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

e hoje lembro a eternidade..

5 de Agosto de 2002 - 5 de Agosto de 2009

como o tempo passa
sete anos
Jb, António José, Pai, Mãe, Mano Velho e os pequenotes - João e Cláudio

Gostava de o ter comigo. Ter. Saber que se tivesse alguma dúvida ou medo, me podia apróximar e perguntar a quem sabe, pois o pai ia-me ensinar.

Gosto do respeito que impôs, respeito que não era um muro mas sim uma actitude que permitia o contacto. Foi muito importante para mim enquanto crescia saber que me podia refugiar em si quando sintia medo, e que só, por o ter ao pé de mim me sintia protegido e tranquilo. Ensinou-me a respeitar o medo e a enfrenta-lo..
Ficava encantado quando me explicava os quês e os porquês da vida, quando fixava a minha atenção de menino em coisas sem sentido à epoca e de cujas lições hoje continuo a tirar ilações. Essas lições que então me pareciam por vezes simplesmente idiotas, hoje dou-me conta, que são tremendamente importantes para a vida.
Recordo-me de quando insistia que para aprender não chegava ler nos livros de que tanto gostava e continuo a gostar, que devia dar valor e procurar aprender com aqueles que sabem fazer, imita-los e melhorar o que houver a melhorar, pois só assim conseguiria ir aprendendo. O melhor de tudo foi que, ao ensinar-me isso, incentivou-me a aprender com todos, a imita-los independentemente dos seus títulos sem me sentir menos que ninguém.
aos 55 e aos 58

Quando compartilhava o seu tempo comigo ou com os manos e ao mesmo tempo que dizia que a sua maior riqueza eramos nós, ensinava-nos o valor do trabalho, da familia e a solidariedade com os que sofrem e do valor que todas as pessoas têm independentemente da sua origem.
Aprendi a não viver à custa dos outros, a ser sério intlectualmente, aprendi a partilhar e a respeitar a vontade e o espaço de todos os outros e a partilhar nem que seja uma palavra amiga com todas as outras pessoas independentemente da sua condição social.
com o snoopy

A principio nem pensei no que acontecia, como podia ser, era tão novo e ficar orfão, mas fui-me apercebendo que não tinha partido, que estava aqui comigo. Oiço por vezes pessoas a desvalorizar outras por pura arrogância ou maldade escudados no seu poder ou no seu dinheiro e lembro-me que tive uma felicidade maior que o dinheiro ou o poder não podem comprar, o ter tido um pai como o senhor, isso não se compra, é a vida que oferece de forma única e irrepetivel.

na casa de Deus

Obrigado meu pai eu vou continuar a cuidar deles..

terça-feira, 4 de agosto de 2009

ainda que longe hoje comemoro o milagre da vida

4 de Agosto de 1994 - 4 de Agosto de 2009
já foi à quinze anos
a arte do fotografo

à dias que mudam a nossa vida e dos quais sempre nos lembramos e simplesmente sorrimos tal a alegria que lhe temos associada..

bilabong boy


e este dia 4 de Agosto de 1994 foi um desses dias, pois neste dia quente de verão nascia um amigo, o nosso benjamim, o nosso menino que a todos nos encheu de alegria - João Rafael Pereira de Sousa - de quem os pais me deram a honra de ser padrinho..

na velha rua da Manutenção, junto ao nº3

Parabéns, porque completas hoje quinze anos e já estás muito grande, ainda que para nós sejas sempre o nosso menino.. Sabemos que estás a crescer, ainda que não to digamos. Tens passado por diferentes fases da tua formação física e pessoal, eras todo.. enrugadinho mesmo :), cresces-te e como acontece com todos os outros foste sofrendo alterações na tua fisionomia, que acredita ainda não acabaram.. até eu já vejo a barba a ficar esbranquiçada :)

na Expo 98

Nós sabemos que vais continuar a cimentar a tua personalidade, tua, afirmativa, sobre os teus princípios e valores que te temos procurado passar, a principal herança que a tua família te vai legar, sei porque te conheço que a vais honrar e engrandecer.., sei que irás ajustar aquilo que não gostas em ti, para continuares a melhorar e a aprender mais e mais.

quem estaria a passar na rua..

Parabéns, tens evoluído, lembro-me que quando nasceste só choravas e ... utilizando os movimentos pra transmitires as tuas necessidades.. e hoje já falas :) Foi pouco a pouco que da tua garganta saiam sons que uns diziam ser pai e outros ser mãe, mas continuo convencido que era tio, mas..

metem-me em cada uma..

Hoje a verdade é que já falas correctamente, já não pareces um quimérias básico :), relacionas-te com outras pessoas e denotas bom companheirismo. Gosto quando dizes as coisas directamente sem subterfúgios, com carácter, educação e coragem. Quando assumes o que pensas.

o europaista..

Parabéns porque começas-te a olhar para os bonecos no berço, gatinhas-te, e depois duns tantos tombos lá aprendes-te a andar, mas num destes mesmos dia puses-te o velho Sousa a rebolar.. Agora corres, corres muito, até sabes nadar, de bicicleta também andar e até provas de triatlo consegues ganhar, mas ainda vais ter que mostrar aqui ao velhote que tens pedalada..
esta Europa não estava em crise e o glorioso também não :)
Parabéns, porque tens conseguido manter o espírito humilde perante as aprendizagens, querendo saber sempre mais, o décimo ano está ai e estás a seis anos de te formares :) e eu quero lá estar..

o atleta do Belenenses

Sei que valorizas o aprender, que tens vontade de saber, nunca percas esse espírito, pois irás passar toda a vida a aprender coisas novas e, ainda que fique sempre muita coisa para aprender, a herança que vais deixar à nossa próxima geração será a súmula de todas as outras que te precederam..

esse chapéu do estilo..

Lembra-te que é importante dar valor, ao que aprendes-te, para, a partir daí, definires novos objectivos. Sempre com humildade, mas também consciente do valor que tens e do que tens que melhorar para seres uma melhor pessoa.. sem te menosprezares.

cadê a areia!!!!

Parabéns, porque porque sabes guardar um segredo e honrar um compromisso.. E também porque apreendes-te algo muito importante da comunicação - expressar sentimentos.. Acredita, é algo maravilhoso, que é bom que pratiques e vás melhorando dia a dia. Isso permitir-te-á viver de uma forma mais sã e ser mais feliz.. a vida é um eterno recomeço meu querido..

isto é que é uma terra como deve ser :)

Parabéns porque cuidas do teu corpo. Gosto de ver como te interessas por ver o que pode ser melhor para ti e depois ages decididamente em sentido positivo, pois sabes que o tabaco não dá estilo que o álcool não liberta e que a vida sem drogas é muito mais vida pois respeita a própria essência da vida.. Sei que sabes isso e és firme nas tuas convicções e isso alegra-me.

lá tava o velhote para vos salvar.. héhéhé
Parabéns, porque sabes partilhar o que tens com os demais e, assim desfruta-lo ainda mais. És capaz de amar e de expressa-lo, e nota-se como gostam de ti e te respeitam, aqueles que te rodeiam.

o que é bom não dura para sempre.. grande terra
Deixai agora falar o tio, o padrinho, sei que sabes que tenho um orgulho imenso em ti, que todos temos, sei que sabes que a qualquer hora, em qualquer momento podes contar comigo, connosco, sei que sabes que foste a maior alegria que recebemos, sei que sabes que acreditamos em ti e confiamos no teu valor, nas tuas capacidades e que acima de tudo queremos que sejas sempre feliz e sei que sabes que podes contar connosco em todos os momentos.

isto de ser adolescente e ter que ouvir os cotas.. sabem lá eles ;)

És fantástico e, por tudo isto quero felicitar-te. Parece-me fascinante tudo o que conseguis-te nestes quinze anos e só lamento não poder estar mais perto para poder partilhar-lo contigo.. Sinto-me muito grato a teus país por ter um afilhado como tu..

já à umas horas
Lembra-te daquelas palavras que te disse naquele dia 04 de Agosto de 1994 - Gostas de mulheres, és do Benfica e vais-te formar..


acredito em ti..

quarta-feira, 29 de julho de 2009

As mulheres mais bonitas de Portugal

'Primeiro, as verdades.O Norte é mais Português que Portugal.As minhotas são as raparigas mais bonitas do País.
O Minho é a nossa província mais estragada e continua a ser a mais bela. As festas da Nossa Senhora da Agonia são as maiores e mais impressionantes que já se viram.Viana do Castelo é uma cidade clara. Não esconde nada. Não há uma Viana secreta. Não há outra Viana do lado de lá. Em Viana do Castelo está tudo à vista. A luz mostra tudo o que há para ver. É uma cidade verde-branca. Verde-rio e verde-mar, mas branca.
Em Agosto até o verde mais escuro, que se vê nas árvores antigas do Monte de Santa Luzia, parece tornar-se branco ao olhar. Até o granito das casas.
Mais verdades.
No Norte a comida é melhor.
O vinho é melhor.
O serviço é melhor.
Os preços são mais baixos. Não é difícil entrar ao calhas numa taberna, comer muito bem e pagar uma ninharia.
Estas são as verdades do Norte de Portugal.
Mas há uma verdade maior.
É que só o Norte existe.
O Sul não existe.
O Alentejo, os Açores, a Madeira, Lisboa, et caetera, existem sozinhas. O Sul é solto. Não se junta. Não se diz que se é do Sul como se diz que se é do Norte. No Norte dizem-se e orgulham-se de se dizer nortenhos. Quem é que se identifica como sulista?
No Norte, as pessoas falam mais no Norte do que todos os portugueses juntos falam de Portugal inteiro. Os nortenhos não falam do Norte como se o Norte fosse um segundo país. Não haja enganos. Não falam do Norte para separá-lo de Portugal. Falam do Norte apenas para separá-lo do resto de Portugal. Para um nortenho, há o Norte e há o Resto. É a soma de um e de outro que constitui Portugal. Mas o Norte é onde Portugal começa. Depois do Norte, Portugal limita-se a continuar, a correr por ali abaixo. Deus nos livre, mas se se perdesse o resto do país e só ficasse o Norte, Portugal continuaria a existir. Como país inteiro. Pátria mesmo, por muito pequenina. No Norte.
Em contra partida, sem o Norte, Portugal seria uma mera região da Europa. Mais ou menos peninsular, ou insular. É esta a verdade. Lisboa é bonita e estranha mas é apenas uma cidade. O Alentejo é especial mas ibérico, a Madeira é encantadora mas inglesa e os Açores são um caso à parte. Em qualquer caso, os lisboetas não falam nem no Centro nem no Sul - falam em Lisboa. Os alentejanos nem sequer falam do Algarve - falam do Alentejo. As ilhas falam em si mesmas e naquela entidade incompreensível a que chamam, qual hipermercado de mil misturadas, Continente.
No Norte, Portugal tira de si a sua ideia e ganha corpo. Está muito estragado, mas é um estragado português, semi-arrependido, como quem não quer a coisa. O Norte cheira a dinheiro e a alecrim. O asseio não é asséptico - cheira a cunhas, a conhecimentos e a arranjinho. Tem esse defeito e essa verdade. Em contra partida, a conservação fantástica de (algum) Alentejo é impecável,porque os alentejanos são mais frios e conservadores (menos portugueses) nessas coisas. O Norte é feminino.
O Minho é uma menina. Tem a doçura agreste, a timidez insolente da mulher portuguesa. Como um brinco doirado que luz numa orelha pequenina, o Norte dá nas vistas sem se dar por isso. As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos verdes-impossíveis,daqueles em que os versos, desde o dia em que nascem, se põem a escrever-se sozinhos. Têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas. Olham de frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão confiança. Olho para as raparigas do meu país e acho-as bonitas e honradas, graciosas sem estarem para brincadeiras, bonitas sem serem belas, erguidas pelo nariz, seguras pelo queixo, aprumadas, mas sem vaidade. Acho-as verdadeiras. Acredito nelas. Gosto da vergonha delas, da maneira como coram quando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um estalo ou de uma panela, quando se lhes falta ao respeito. Gosto das pequeninas, com o cabelo puxado atrás das orelhas, e das velhas, de carrapito perfeito, que têm os olhos endurecidos de quem passou a vida a cuidar dos outros. Gosto dos brincos, dos sapatos, das saias. Gosto das burguesas, vestidas à maneira, de braço enlaçado nos homens. Fazem-me todas medo, na maneira calada como conduzem as cerimónias e os maridos, mas gosto delas. São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem. As mulheres do Norte deveriam mandar neste país. Têm o ar de que sabem o que estão a fazer. Em Viana, durante as festas, são as senhoras em toda a parte. Numa procissão, numa barraca de feira, numa taberna, são elas que decidem silenciosamente. Trabalham três vezes mais que os homens e não lhes dão importância especial. Só descomposturas, e mimos, e carinhos.
O Norte é a nossa verdade. Ao princípio irritava-me que todos os nortenhos tivessem tanto orgulho no Norte, porque me parecia que o orgulho era aleatório. Gostavam do Norte só porque eram do Norte. Assim também eu. Ansiava por encontrar um nortenho que preferisse Coimbra ou o Algarve, da maneira que eu, lisboeta, prefiro o Norte. Afinal, Portugal é um caso muito sério e compete a cada português escolher, de cabeça fria e coração quente, os seus pedaços e pormenores.
Depois percebi. Os nortenhos, antes de nascer, já escolheram. Já nascem escolhidos. Não escolhem a terra onde nascem, seja Ponte de Lima ou Amarante, e apesar de as defenderem acerrimamente, põem acima dessas terras a terra maior que é o 'O Norte'.
Defendem o 'Norte' em Portugal como os Portugueses haviam de defender Portugal no mundo. Este sacrifício colectivo, em que cada um adia a sua pertença particular - o nome da sua terrinha - para poder pertencer a uma terra maior, é comovente. No Porto, dizem que as pessoas de Viana são melhores do que as do Porto. Em Viana, dizem que as festas de Viana não são tão autênticas como as de Ponte de Lima. Em Ponte de Lima dizem que a vila de Amarante ainda é mais bonita. O Norte não tem nome próprio. Se o tem não o diz. Quem sabe se é mais Minho ou Trás-os-Montes, se é litoral ou interior, português ou galego? Parece vago. Mas não é. Basta olhar para aquelas caras e para aquelas casas, para as árvores, para os muros, ouvir aquelas vozes, sentir aquelas mãos em cima de nós, com a terra a tremer de tanto tambor e o céu em fogo, para adivinhar. O nome do Norte é Portugal. Portugal, como nome de terra, como nome de nós todos, é um nome do Norte. Não é só o nome do Porto. É a maneira que têm de dizer 'Portugal' e 'Portugueses'. No Norte dizem-no a toda a hora, com a maior das naturalidades. Sem complexos e sem patrioteirismos. Como se fosse só um nome. Como 'Norte'. Como se fosse assim que chamassem uns pelos outros. Porque é que não é assim que nos chamamos todos?"