segunda-feira, 26 de outubro de 2009

22 de Setembro - A causa persiste, a esperança vive e o sonho nunca vai morrer..


– Exmo. Senhor Presidente do Governo Regional
– Exmos. Senhores Secretários Regionais
– Exmos. Senhores Directores Regionais
– Exmo. Senhor Presidente da Assembleia Municipal de Câmara de Lobos
– Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal de Câmara de Lobos
– Exmos. Senhores deputados à Assembleia Legislativa da RAM
– Reverendíssimo cónego
– Demais individualidades representadas
– Excelências
– Minhas Senhoras e meus Senhores
– Meninas e meninos

Cabe-me enquanto director indigitado da escola, apresentar hoje aqui perante vós este projecto, um projecto que alguns transvertidos em velhos do Restelo dos tempos modernos, diziam ser impossível de concretizar. Mas como cada dia é um dia, o nosso dia sempre chegou e o que não era mais do que uma necessidade sentida transformou-se em realidade.
A escola do 2º e 3º ciclos do Curral das Freiras será com a participação de todos uma escola de referência, onde poderão ser potenciados sonhos e capacidades, educados valores e conhecimentos, onde o sucesso o trabalho e o respeito caminharão de mãos dadas.
Temos uma equipa de professores fantástica, com profissionais dedicados e empenhados, uma comunidade sedenta de conhecimento, uma autarquia participativa e uma secretaria que valoriza as pessoas e a sua formação. E antes de passar a palavra aos nossos ilustres intervenientes, encerro esta curta intervenção recordando um clássico do cinema 2001-odisseia no espaço – em que um nosso antepassado Australopitecus Afarensis lança ao ar um osso, logo depois de o ter usado.
Nos breves segundos em que o fémur rodopia no espaço, o realizador Stanley Kubrick transporta-nos do Pleistoceno até à era das viagens interplanetárias.
E é no ambiente moderno e sublime destes espaços de educação e cultura, que temos um pouco por toda a nossa região, símbolo primeiro deste novo Portugal, que transporta um passado glorioso, pelo qual somos respeitados e conhecidos em todo o mundo, e com o qual nos encontramos sempre que acreditamos em nós mesmos, tal qual no filme urge deixar para trás estes tempos em que estamos, e olhar para os novos desafios e agarra-los com ambas as mãos.
Na Madeira temos uma longa tradição enquanto construtores do futuro e para esta equipa de professores a construção do futuro é uma tradição que nos agrada manter – Ainda que sem a violência do filme.
Minhas senhoras e meus senhores uma garantia vos deixamos o nosso compromisso ético e deontológico com a escola, com a freguesia e com a nossa região é total e fica aqui assumido Sr. Presidente, com a certeza que o trabalho vai continuar. Que a causa persiste, a esperança vive e o sonho nunca vai morrer.

Joaquim José Sousa
22 de Setembro de 2009

homenagem aos melhores professores.. os meus


Profs....a culpa é deles!

Neste momento, é óbvio para todos que a culpa do estado a que chegou o ensino é (sem querer apontar dedos) dos professores. Só pode ser deles, aliás. Os alunos estão lá a contragosto, por isso não contam. O ministério muda quase todos os anos, por isso conta ainda menos. Os únicos que se mantêm tempo suficiente no sistema são os professores. Pelo menos os que vão conseguindo escapar com vida.

É evidente que a culpa é deles.

E, ao contrário do que costuma acontecer nesta coluna, esta não é uma acusação gratuita. Há razões objectivas para que os culpados sejam os professores.
Reparem: quando falamos de professores, estamos a falar de pessoas que escolheram uma profissão em que ganham mal, não sabem onde vão ser colocados no ano seguinte e todos os dias arriscam levar um banano de um aluno ou de qualquer um dos seus familiares.
O que é que esta gente pode ensinar às nossas crianças? Se eles possuíssem algum tipo de sabedoria, tê-Ia-iam usado em proveito próprio. É sensato entregar a educação dos nossos filhos a pessoas com esta capacidade de discernimento?
Parece-me claro que não.
A menos que não se trate de falta de juízo mas sim de amor ao sofrimento.
O que não posso dizer que me deixe mais tranquilo. Esta gente opta por passar a vida a andar de terra em terra, a fazer contas ao dinheiro e a ensinar o Teorema de Pitágoras a delinquentes que lhes querem bater. Sem nenhum desprimor para com as depravações sexuais -até porque sofro de quase todas -, não sei se o Ministério da Educação devia incentivar este contacto entre crianças e adultos masoquistas.

Ser professor, hoje, não é uma vocação; é uma perversão.

Antigamente, havia as escolas C+S; hoje, caminhamos para o modelo de escola S/M. Havia os professores sádicos, que espancavam alunos; agora o há os professores masoquistas, que são espancados por eles. Tomando sempre novas qualidades, este mundo.
Eu digo-vos que grupo de pessoas produzia excelentes professores: o povo cigano.
Já estão habituados ao nomadismo e têm fama de se desenvencilhar bem das escaramuças. Queria ver quantos papás fanfarrões dos subúrbios iam pedir explicações a estes professores. Um cigano em cada escola, é a minha proposta.
Já em relação a estes professores que têm sido agredidos, tenho menos esperança.
Gente que ensina selvagens filhos de selvagens e, depois de ser agredida, não sabe guiar a polícia até à árvore em que os agressores vivem, claramente, não está preparada para o mundo.
Ricardo Araújo Pereira in Opinião, Boca do Inferno, Revista Visão